As blitzes da polícia nas sedes das organizadas deveriam ser constantes

Robson Morelli

21 de fevereiro de 2014 | 16h34

Exceto pelo nome, Operação Hooligans, muito britânico para o meu gosto, a ação dos policiais do DHPP na madrugada desta quinta-feira com 90 homens contra torcedores uniformizados do Corinthians, na sede das torcidas, pode ser considerada um divisor no relacionamento dessa gente com a lei. Até então, o cheiro, muitas vezes forte, era de pizza, de que nada aconteceria contra os arruaceiros que invadem casas alheias, tocam o terror e amedrontam jogadores e gente do bem em nome do futebol.

A ação dos policiais coloca um ponto final nessa história de impunidade. Pelo menos essa é a esperança dos que gostam de futebol e ainda querem levar seus filhos aos estádios, sem medo. A PM trabalhou em silêncio para identificar os envolvidos na invasão ao CT do Corinthians realizada no começo do mês, que gerou a saída do clube de Paulo André, Douglas e Alexandre Pato. Um grupo de 100 corintianos resolveu tomar de assalto o centro de treinamento do clube após a derrota do time para o Santos por 5 a 1. Provocaram o terror, ameaçaram o atacante Guerrero pelo pescoço, fizeram os outros se esconder e formar barricadas em salas mais seguras, roubaram objetos. E pensaram que nada fosse acontecer. A Polícia foi buscá-los em seus redutos, onde são soberanos e achavam-se invulneráveis. 13 ganharam o camburão. Seis foram libertadores depois de averiguação. Três ficaram presos e outros estão sendo caçados.

A ação dos policiais do DHPP nos faz acreditar que o ‘crime’ não compensa, que ainda é possível acreditar que a impunidade não existe no futebol, como muita gente defende com certa dose de razão. Essas blitzes devem continuar em outras organizadas, com mais frequência, em prol da segurança do futebol e da Copa, talvez. É claro que ação da Polícia se deu porque o próprio Corinthians abriu processo contra os vandâlos. Ocorre que a delegada do DHPP revelou que há uma linha da investigação que não descarta a ‘facilitação’ do clube ou de funcionários do clube para os invasores. A chamada vista grossa. Era preciso dar uma prensa desse grupo que só fazia perder. Quem sabe. Um dado não sai da cabeça da delegada, isso é fato: das 30 câmeras, 28 estavam desligadas na hora do ocorrido e as duas acionadas davam para locais cego do campo ou da confusão.

A polícia quer saber de tudo. Agora vai até o fim nisso. O presidente do Corinthians, Mário Gobbi, pediu a investigação para seus colegas delegados. Imagina-se que também queira respostas. Os policiais continuarão à caça desses torcedores já identificados. E imagino que toda ação dos ‘corintianos’ de agora em diante seja monitorada. É o cerco que se fecha.

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