As derrotas do Corinthians coincidem com os salários atrasados dos jogadores

As derrotas do Corinthians coincidem com os salários atrasados dos jogadores

Diretoria admite que direitos de imagem precisam sem acertados, mas sem dar prazo para isso: o elenco entende até a página 2

Robson Morelli

07 de maio de 2015 | 10h42

Jogador de futebol não funciona de manhã nem com salários atrasados. Isso é desde os tempos em que Charles Willian Miller chegou ao Brasil com uma bola debaixo do braço. Por isso que a diretoria do Corinthians trabalha para conseguir colocar em dia os direitos de imagens do grupo. O discurso no vestiário, com os líderes da equipe, pode até ser bom, com demonstração de paciência e entendimento da situação financeira do clube. Na prática, no entanto, jogador que não recebe em dia em clubes grandes não corre, não se esforça, não está nem aí se o resultado é positivo ou negativo.

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Coincidentemente, depois que o Corinthians deixou de pagar parte dos salários dos jogadores e entrou como muitos na lista dos que atrasam pagamento no futebol, a equipe tem andado para trás. Caiu fora do Paulistão, não ganha mais e nesta quarta apanhou do Guaraní, do Paraguai. Isso não vale apenas para os jogadores do Parque São Jorge, como disse, vale para todos os jogadores de times grandes.

Se tem uma coisa que ‘boleiro’ entende bem é sobre seu salário. Se não entende, a mulher o faz entender. O jogador pode ser o mais desorientado do mundo, mas quando o clube deixa de pagar seu rico salário, ele para. Uma vez o volante Vampeta, jogador que sempre falou o que pensa e por isso é o cara autêntico que é, disse no Flamengo a seguinte frase: ‘o clube finge que me paga e eu finjo que jogo’. É isso. O torcedor pode até negar que isso esteja ocorrendo no Corinthians, pode entender que Tite tem o comando do grupo e que a surra para o fraco rival paraguaio foi uma dessas zebras que acontecem no futebol.

O fato é que o Corinthians está jogando mal, tem posicionamento errado, os jogadores não aparecem para tocar, enfim, está muito diferente do Corinthians que começou a temporada. E nada explica essa alteração de comportamento a não ser a demora do depósito na conta, os salários atrasados. O único com desculpa para ter atuado mal em Assunção é Guerrero, que estava de molho na cama de um hospital com dengue. Perdeu ritmo. E olha que o atacante peruano também não tem seu futuro decidido com a renovação de contrato.

A diretoria do Corinthians, agora sob o comando de Roberto de Andrade, terá de reunir esses caras no vestiário e acertar logo os atrasados. Vai ter de prometer uma data, olho no olho, para recuperar a ‘disposição’ do elenco. Tite não tem o que fazer diante dessa situação, talvez ele mesmo esteja sem receber como os demais. Tampouco vai admitir que as derrotas estejam relacionadas ao problema financeiro. Qualquer treinador faria isso. A diretoria, no entanto, tem uma semana para mudar esse cenário, quando acontece o jogo da volta contra o Guaraní, no Itaquerão. Senão…

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