As entidades querem mesmo acabar com a violência no futebol?

Se querem e sempre quiseram, então até agora fracassaram nesta tarefa, afinal, as brigas não pararam e há inocente morto em São Paulo

Robson Morelli

04 de abril de 2016 | 11h08

Desde aquele 20 de agosto de 1995, quando o palmeirense Márcio Gasparin foi morto com uma paulada na cabeça no gramado do Pacaembu, num São Paulo e Palmeiras pela Copa São Paulo de Juniores, muito se discutiu sobre a violência no futebol, torcidas organizadas e seus membros, com a participação de paladinos e gente interesse em aparecer, mas todas as medidas adotadas até agora foram paliativas, de resposta imediata para a sociedade, mas longe, muito longe de apontar uma solução para o problema, que não é somente nosso, dos brasileiros, mais de forma geral das Américas e já foi da Europa também.

O lugar-comum das brigas prega que a ‘PM prende e a Justiça solta’. Todos os envolvidos detidos nas confusões deste fim de semana entre corintianos e palmeirenses assinaram termo circunstanciado nas delegacias e foram liberados nesta segunda-feira. Responderão, se é que responderão, em liberdade, como tem sido nos últimos 15 anos. Poucos permanecem presos por brigas e mortes no futebol.

Mas será que as entidades têm mesmo interesse em resolver o problema, afinal, desde muito tempo se discute uma forma e fórmula de acabar com isso e não se consegue? Partindo do pressuposto de que sim, se quer acabar com a violência entre as torcidas, a única conclusão é que todos os envolvidos nesta batalha deixam a desejar, são incompetentes ou esbarram em situações que os impedem de avançar.

O fato é que as Organizadas deitam e rolam nos estádios e nas cidades, seja em São Paulo, Belo Horizonte ou Porto Alegre, e estão longe de serem paradas. Semana passada, tomaram os CT de Palmeiras e Flamengo de assalto para cobrar jogador. Elas são instituições gigantescas, que se espalham por outros setores da sociedade, como carnaval e assistencialismos, e que só fazem crescer e se fortalecer em todos os sentidos. Há quem defenda que o crime se esconde dentro dessas facções esportivas, e que as juras de morte são cada vez mais frequentes. ‘Você mata um dos nossos. Nós matamos um de vocês.’

A pergunta que o torcedor de bem se faz é se teremos um dia futebol sem briga, se é possível levar os filhos aos estádios ou passear pelas ruas do bairro com a camisa do seu time do coração, seja ele qual for. Hoje, para as três perguntas, a resposta é a mesma: NÃO.

PM, Federação Paulista, Ministério Público, CBF, Poderes Judiciário e Legislativo, clubes de futebol, Governos e quem mais tiver participação direta ou indireta na organização do futebol precisam se unir, debater e tomar uma decisão mais dura sobre o assunto para que novos inocentes não morram pelo caminho por uma simples partida de futebol.

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