As instituições não têm competência para deixar os briguentos das uniformizadas fora dos estádios

Um dos 12 corintianos de Oruro é identificado na briga recente do Itaquerão, como nos conta o repórter Raphael Ramos

Robson Morelli

22 de outubro de 2014 | 15h51

Os guardiões do futebol brasileiro precisam parar de se enganar no que diz respeito às iniciativas de punição aos torcedores que se envolvem em brigas. O Estadão divulgou nesta quarta-feira mais um corintiano daqueles 12 de Oruro em brigas no estádio. Trata-se de Tiago Aurélio dos Santos Ferreira, identificado na recente confusão do Itaquerão. O grandalhão aparece desferindo socos e pontapés, como se não tivesse aprendido nada nos dias em que passou encarcerado na Bolívia.

Era para esse senhor estar definitivamente afastado e proibido de frequentar as partidas do Corinthians. Ele e os demais de Oruro. Não há, no entanto, instituição capaz nesse País de excluir os torcedores de uniformizadas que brigam nos estádios ou em suas imediações em nome das bandeiras que ostentam, do seu time ou de sua facção. O cara faz o diabo e nada acontece. No caso desses 12 de Oruro, houve gente graúda do futebol que saiu em defesa dos corintianos com o argumento de que eles não poderiam permanecer detidos fora do Brasil, que isso feria o direito de ir e vir.

Tiago é apenas um exemplo, mas a situação vale para todos os outros torcedores de outras equipes. Domingo passado, houve briga entre palmeirenses e santistas, com mais uma morte, certamente de bandidos travestidos de torcedores que continuarão soltos e presentes no futebol depois que a poeira baixar. Isso só comprova a incapacidade da CBF, da Polícia, do Judiciário e de todas as instituições envolvidas de alguma forma com o esporte, ou para promovê-lo ou para executá-lo.

Por isso que volto a defender a punição aos clubes. Palmeiras e Santos, por exemplo, deveriam perder pontos no Brasileirão por causa da briga de domingo na Anchieta, e dane-se se os times seriam rebaixados para a Série B por causa disso. Mas falta peito no Brasil para tomar decisões mais enérgicas, capazes de provocar um divisor de águas no futebol e em seu público. O Brasil, nesse quesito, precisa de medidas mais duras e punitivas aos clubes e aos envolvidos nas brigas.

Eu sei que há bons argumentos para não responsabilizar os clubes pelos atos de seus torcedores, mas se isso não acontecer, meninos continuarão morrendo, e pais e mães, da mesma forma, continuarão enterrando seus filhos.

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