As marcas e recordes eternizam a carreira de Ceni no São Paulo e no futebol

Com a vitória de 3 a 0 do time sobre o Goiás, o goleiro chega à sua 590 vitória com a camisa do clube, superando o galês Giggs, pelo Manchester United

Robson Morelli

28 de outubro de 2014 | 13h48

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Daqui a 100 anos, os amantes da bola que se debruçarem em pesquisas do futebol brasileiro certamente vão se deparar com um nome: Rogério Ceni. Como nossos craques são esquecidos com o tempo, e tratados sem muita reverência depois que se aposentam, é bem provável que poucas pessoas conheçam o goleiro que marcou época no São Paulo em 2114, como nós conhecemos pouco os craques do início do século 20, a não ser o mais falados.

Na partida desta segunda-feira (sim, em 2014 o futebol brasileiro tinha jogos às segundas-feiras), Rogério Ceni se colocou à frente de mais uma marca: o jogador do mundo que mais somou vitórias com a mesma camisa. São 590 contra 489 de Ryan Giggs, do Manchester United. O goleiro ajudou seu time a superar o Goiás por 3 a 0 e passou o galês, que pendurou as chuteiras recentemente.

Os números, claro, dão a Ceni a confirmação de sua história no futebol – ele também é o goleiro com mais gol marcados, 123. Mas não isso. Mais importante do que os números, no entanto, é a carreira de Ceni no Morumbi. O goleiro está para a história do clube como a história do clube está para o goleiro.

Rogério Ceni sempre foi um jogador acima da média, com defesas que sempre ajudaram o São Paulo a ganhar suas partidas, erguer taças, se colocar entre os times mais destacados da América e do Mundo. Ceni é um jogador à frente de seu tempo. Percebeu antes de todos que era preciso ter o recurso dos pés para ajudar o time. Já tinha facilidade para bater na bola, mas foi aprimorando esse dom no CT da Barra Funda, treinando mais que os outros, chegando cedo e saindo tarde, ouvindo seus treinadores e amigos. Há jogadores que usam os pés a carreira inteira e não sabem cobrar faltas. Ceni nasceu para trabalhar com as mãos, mas se vale dos pés como um autêntico 10.

Da mesma forma, teve a primeira chance de cobrar uma falta e pegou gosto pelo fundamento. Passou a acertar o gol como os grandes batedores. É bem verdade que só se lança à façanha quando entende que tem boas chances de acertar. Com o tempo e as glórias, foi se impondo cada vez mais nos grupos formados ano a ano no São Paulo até se transformar numa espécie de ‘presidente’ do vestiário.

Em sua carreira, tem-se poucas notícias de problemas e confusões. Por tamanha identificação e desejo de ganhar e de defender sua bandeira, a do São Paulo, Rogério carrega nos ombros um fardo que não lhe pertence, o de ser arrogante e prepotente.  Essa impressão talvez o tenha feito amado somente pelos são-paulinos, mas é inegável que quem conhece futebol sabe de suas qualidades e importância. Isso ninguém tira de Ceni, mesmo se as marcas não tivessem sido batidas.

O goleiro, aos 41 anos, já avisou que vai parar ao término dessa temporada. Ocorre que lhe faltam dez vitórias para cravar 600 com o São Paulo. O Brasileirão tem mais oito rodadas antes do recesso do fim de ano. Por isso, não seria surpresa se Rogério resolvesse novamente esticar sua carreira, mesmo com a dificuldade que o corpo lhe impõe, até o Paulistão de 2015. Quem sabe!

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