As preocupações do governo com a Copa: protestos em São Paulo e Rio e o serviço de comunicações (celular e internet)

Robson Morelli

13 de maio de 2014 | 00h24

Em entrevista nesta segunda com o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, ficou clara a preocupação do governo com a segurança e com as comunicações na Copa do Mundo. Não com a segurança dos torcedores brasileiros e estrangeiros, mas com os ‘briguentos’ de outros países, como os barrabravas da Argentina e os hoolingans europeus. Nas palavras do ministro, o Brasil não quer nem aceita esses torcedores bagunçando e tocando o coreto no País durante a competição. Aldo sabe que ainda há muito o que fazer para uma Copa do Mundo a contento de todos nós, brasileiros. Digo todos nós porque é assim que Brasília pensa a competição. Desde o começo, o que se imaginou para esse Mundial foi fazer um torneio com a cara do Brasil e também para o torcedor brasileiro, sobretudo. Esse é um dos argumentos do ministro para endossar a escolha de 12 cidades-sedes, por exemplo.

Para Aldo, seria muito fácil concentrar parte da Copa numa cidade como São Paulo. Era só reformar alguns estádios já prontos, como o Morumbi e o Brinco de Ouro, antecipar as obras do Palmeiras e fim de papo. Mas, segundo ele, seria também um desperdício e até um pecado privar um terço do Brasil, a região sul e sudeste, do torneio, ou tirar Manaus do circuito das partidas, ou ainda impedir que a bola role no centro oeste. Desse ponto de vista, a escolha das 12 cidades, dos 12 estádios, abrangendo praticamente todas as regiões do País, foi acertada. E diferentemente do que declarou o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, sobre o fato de a decisão ter sido do presidente Lula, a decisão de fazer a Copa em 12 cidades-sedes, o ministro afirmou que essa história partiu da própria Fifa e da CBF, então comandada por Ricardo Teixeira, o idealizador de tudo.

As preocupações com a Copa são basicamente duas faltando um mês para o pontapé inicial: os possíveis protestos em São Paulo e Rio, e não no restante do Brasil, e as comunicações por celulares e pela internet nos estádios. O teste da Copa das Confederações foi suficiente para dar pistas de que tudo dará certo, mas essa certeza não existe ainda. Copa das Confederações não é Copa do Mundo. Não é nem metade de uma Copa do Mundo. A Fifa trabalha com duas concepções básicas: montar o maior torneio de futebol e mostrá-lo ao mundo. Daí a preocupação. De nada valeria se não desse para contar ao planeta a vitória do Brasil sobre a Croácia ou as pancadas sofridas por Cristiano Ronaldo no jogo de Portugal e Gana.

Sobre as passeatas e reivindicações, as praças de São Paulo e Rio são as que mais preocupam por concentrar massas acostumadas com as ruas e com os confrontos. Mas para o governo, as passeatas e protestos estão em baixa, o que poderá facilitar a convivência de todos na Copa. Esse é o discurso. Nem mesmo a provável truculência das polícias é uma preocupação para Brasília. De acordo com o ministro, o policiamento tem se preparado há tempo para controlar as manifestações se elas acontecerem durante as partidas. A estratégia das ‘barricadas’ para atrasar as manifestações é bem vista, e pode funcionar para se esvaziar os movimentos.

A Copa do Mundo não acaba em sua abertura e depois com os outros 63 jogos. Não para nós, brasileiros. As contas serão investigadas e as promessas checadas até que tudo seja explicado e bem explicado para o brasileiro. Se for com a taça nas mãos, melhor.

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