As primeiras impressões de Crespo no São Paulo são boas, mas ainda apenas primeiras impressões

As primeiras impressões de Crespo no São Paulo são boas, mas ainda apenas primeiras impressões

Treinador argentino reforça defesa com três zagueiros, libera Reinaldo e dá a chave do meio de campo a Daniel Alves

Robson Morelli

01 de março de 2021 | 14h00

Os primeiros sinais do trabalho de Hernán Crespo são interessantes, mas ainda não passam de primeiros sinais. O treinador argentino, elegante à beira do gramado, montou o São Paulo com três zagueiros: Arboleda, Bruno Alves e Léo. Reforça o setor e pede mais velocidade na recomposição. Com isso, também libera Reinaldo para apoiar sem se preocupar tanto com a marcação.

Foto: SPFC

No meio, abre mão de um volante: Tchê Tchê. Não sei se é possível atuar sem um jogador mais marcador no setor. Pelo menos um. O São Paulo não tem esse cara. Terá de encontrar no mercado. Não é o Tchê Tchê, que não marca e joga demais para trás. Seus passes são sempre para o lado ou para trás. Em compensação, deu o comando do meio de campo a Daniel Alves. Tentou pedir para o camisa 10 atuar da linha do meio para frente, onde rende mais e é mais inteligente. Com três zagueiros, Daniel Alves não tem nada de ir buscar a bola lá atrás, nos pés de Volpi, que já é outro, diga-se. Joga com mais seriedade e menos risco com os pés.

Ocorre que Sara não foi bem. Atuou no meio, mas deixou a desejar. Igor Gomes foi melhor, mas precisa atacar num setor mais definido do campo. Ele pode alternar posição, ou lado, com Daniel para confundir a marcação. Quem faz isso também é o atacante Luciano. Ele ainda está batendo cabeça com Pablo, mas podem se acertar. Pablo vai ficar mais na área. Luciano, na área e fazendo mais jogadas fora dela, sem se afastar do gol, seu forte.

O São Paulo jogou melhor do que o Botafogo de Ribeirão Preto. Ficou com a bola, mas estava muito afoito. Também foi duro passar pelo paredão rival. Havia muita gente a ser derrubada. Isso será uma constante no Paulistão. Os times mais fortes terão de forçar a mão contra defesas bem fechadas. Arrancar um ponto dos times grandes é muito bom para os menores, como foi para o Botafogo no Morumbi.

Apesar de apenas primeiras impressões, Crespo já monta o São Paulo parecido ao Defensa y Justicia, campeão da Sul-Americana. Tem de lembrar, no entanto, que o São Paulo no Brasil não se equivale ao Defensa na Argentina. O São Paulo é como River e Boca. Crespo, com mais tempo, terá de pensar grande. O empate foi um aquecimento.

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