Atletas brasileiros, de todas as modalidades, sentem demais o emocional na hora de decidir

Eles jogam como se estivessem com um fardo nas costas, começam a errar tudo e fracassam, como ocorreu com a seleção feminina de basquete e o futebol no pré-olímpico

Robson Morelli

07 de fevereiro de 2020 | 09h46

Tem sido assim quando a decisão envolve atletas brasileiros, de todas as modalidades. O emocional tem pesado nas mãos e pés dos nossos atletas. Vimos isso recentemente com o basquete feminino e com o futebol dos garotos no pré-olímpico. O Brasil é muito melhor do que Porto Rico, mas perdeu. Nos minutos finais, jogou como peladeiras, errando cestas fáceis e até bandeja. No grupo de quatro, bastava ganhar de Porto Rico para se classificar para a Olimpíada. Perdeu. Pode ficar fora. O emocional pegou. Quando precisa ter a cabeça no lugar, se desesperou. Todos tinham a fisionomia da derrota antes mesmo de perder.

Na mesma forma, o Brasil precisava ganhar de novo do Uruguai para dar passo importante no futebol. Já havia vencido o rival na fase anterior. Os goleiros dos dois times falharam, mas os atacantes brasileiros passaram a jogar de qualquer jeito, sem inteligência. Tinham nas costas o peso de uma nação. Erraram tudo.

Há times braseiros de futebol que sofrem do mesmo problema. São melhores dos que a maioria dos seus adversários, mas não acreditam nisso. No tique-taque do relógio, se perdem. O Palmeiras sofreu com isso por anos. Há outros nessa condição. Certa vez li que Rafael Nadal tinha sido orientado a carreira toda no tênis para controlar suas emoções dentro da quadra, não se desesperar, não quebrar raquetes, não dar mais essa munição ao oponente.

Os esportes brasileiros precisam trabalhar melhor essa parte em seus atletas. A qualidade conta muito, mas o emocional tem sido o calcanhar de Aquiles dos nossos jogadores de modo geral. Palestras, conversas, permissão para errar, menos cobrança. Isso também tem a ver com a torcida, com a falta de confiança, com a quebra de unidade de um grupo. E até com as trocas de comandos. É preciso sorrir mais, encarar os jogos com mais leveza, em tanta preocupação, embora isso também seja impossível. Ouvi outro dia o meia Gerson, campeão do mundo em 1970, dizer que aquele Brasil sabia que era o melhor de todos, porque tinha Pelé, porque fazia o que tinha de fazer, porque treinava direito… Acreditar conta.

O resto é fazer o que se sabe.

Tudo o que sabemos sobre:

futebolbasquetecbf

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: