Atletas como Rogério Ceni não existem mais

Robson Morelli

07 de setembro de 2011 | 17h16

COLUNA DESTA QUARTA-FEIRA NO JT

Amigo do futebol, hoje a bola vai rolar. No Morumbi, palco de tantas alegrias e glórias do futebol brasileiro, e não somente do São Paulo, o goleiro Rogério Ceni, 01 às costas, vai completar o jogo de número 1.000 da carreira. Um feito que merece reverência.

O Tricolor recebe o Atlético Mineiro às 16h. Tomara que ganhe para não manchar a linda festa.

Todos os ingressos foram vendidos. É jogo pra mais de 60 mil pessoas. O Morumbi vai tremer. E todas de olhos bem abertos em cada gesto do goleiro. Não há mais no futebol jogadores da estirpe de Ceni. Marcos, do Palmeiras, é da mesma linhagem. Não me lembro de nenhum outro.

Há aqueles que permanecem em seus clubes de batismo não por opção, mas por falta dela. A maioria voa atrás da primeira oferta em moeda estrangeira, seja dólar, euro, rublo ou yen.

“Hoje a sociedade tem outros valores. Um jovem aparece e, se joga bem, quer ir para a Europa. E o clube também quer que ele vá”, diz o goleiro. Ceni até que tentou a Inglaterra lá atrás numa história mal explicada na época, mas que seus feitos ao longo desses 21 anos em que veste com orgulho, dedicação e categoria a camisa do São Paulo trataram de apagar. Houve interessados da Espanha e Alemanha. Mas o goleiro não viu nos clubes (Hannover e La Coruña) desses países na época a possibilidade de ganhar títulos. E ele não treina sem a perspectiva de levantar taça.

Rogério merece estar no museu do Morumbi, como aquela reprodução de Leônidas da Silva suspenso e praticando sua invenção, a bicicleta. Ceni também teria lugar fácil de destaque no Museu do Futebol do Pacaembu. Vai estar um dia.
Perto de encerrar a carreira, aos 38 anos, novas gerações vão dizer que nunca viram Rogério jogar, mas certamente saberão na ponta da língua de todos os seus feitos, e não são poucos.

Injustamente, o goleiro do São Paulo nunca caiu nas graças do torcedor brasileiro de modo geral. Os são-paulinos o veneram. É Ceni na terra e Deus no céu. Mas essa identificação se restringe às cores do tricolor paulista. O que não é pouco, diga-se. Mas por tudo o que ele fez no futebol brasileiro, ao longe de duas décadas e 1.000 jogos, Rogério era para andar na rua e ser cumprimentado por torcedores de todos as bandeiras, gente que gosta e respeita o futebol. Porque dentro dessa profissão de jogador, Ceni sempre se esforçou para dar o seu melhor. E conseguiu.

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