Barcelona e o futebol, muito brevemente, terão de se acostumar sem Messi

Barcelona e o futebol, muito brevemente, terão de se acostumar sem Messi

Meia informa time catalão que o tem desde os 14 anos que não quer mais ficar, segundo imprensa argentina e espanhola

Robson Morelli

25 de agosto de 2020 | 16h43

O Barcelona errou ao dar todos os poderes ao técnico Koeman, recém-contrato pelo clube depois do fracasso na Liga dos Campeões. O presidente do time catalão não percebeu o estado emocional dos jogadores, inclusive de Messi, após a surra de 8 a 2 sofrida para o Bayern de Munique. Na mesma semana, o treinador foi demitido e um holandês linha-dura, Koeman, foi chamado para promover a maior limpa que se tem notícia no elenco. Jogadores importantes foram comunicados de que não ficarão. Foram descartados, independentemente dos contratos vigentes. A ordem era limpar e Koeman, feito um trator dos tempos em que era zagueiro do time, não perdeu tempo. Foi passando por cima de todos sem distinção, inclusive em Suárez, amigo de Messi e com quem divide as coronas para o Centro de Treinamento. Outros também foram avisados.

A segunda recomendação ao novo treinador era não mexer com Messi. Nem precisou. O capitão do time não se sentiu à vontade vendo seus companheiros sendo dispensados. Tratou então de tornar oficial, segundo a imprensa argentina e espanhola, seu desejo de deixar o clube que o formou. Um fim de linha como ninguém imagina. Um fim de linha triste, se ele, de fato, se confirmar. Messi não se vê sozinho nesse elenco. Não quer ficar sem seus companheiros. Talvez pense não ser correta sua permanência num ano em que todos não foram bem, inclusive ele.

O Barcelona e o futebol, muito brevemente, terão de se acostumar sem Messi. A ideia de sair bate na cabeça do meia argentino não é de hoje. A temporada deu o empurrão que faltava. Messi precisa respirar novos ares. Não sei avaliar se ele deve sair ou permanecer. Sei que o mundo do futebol se acostumou a ver Messi no Barcelona e o Barcelona com Messi. Sua decisão, se ele não for convencido a ficar, e dinheiro não deve ser argumento para isso, deverá ser oficializada nas próximas semanas. Sim, porque os times da Europa já se preparam para começar a temporada 2020/21. Não há tempo para discutir o assunto, esperar janelas, repensar…

Aos 33 anos, Messi vai ensaiando sair de cena do futebol. A Copa da Rússia seria sua última pela Argentina, sem ganhar nenhuma que disputou. Mas como Catar 2022 está logo ali, ele fica para ajudar seu país mais um vez. Não jogará outra Copa, certamente. O futebol precisa se acostumar sem o camisa 10, e sem ter outro para assumir seu posto. Neymar não é esse cara, por tudo o que é e por tudo o que não é. Seria um fardo para o escolhido o apontar como Messi, um sucessor nos dias de hoje. Temo que não veremos outro, assim como não vimos Maradona e Pelé. Deuses do futebol.

DESTINO

Messi é que vai escolher seu destino e será bem recebido no time que quiser. Ele começa a entrar num momento da carreira que dinheiro não conta mais. Conta o prazer de jogar, da família, da vivência. Comprou uma casa em Milão, terra italiana da Internazionale. Pep Guardiola, que conseguiu arrancar tudo dele em campo, está de portas abertas com o seu Manchester City para recebê-lo. Quem não estaria? Vai depender do desejo de Messi. Se for para a Itália, vai mais uma vez se rivalizar com Cristiano Ronaldo, tão importante para sua carreira como ele foi para a do atacante português, agora na Juventus. Seria lindo vê-los em campo de novo, mas o futebol italiano não é mais o mais interessante da Europa. O Inglês certamente o levaria para uma medalha de honra da Rainha na primeira temporada. E venderia muitas camisas. Tudo vai depender do que deseja Messi.

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