Basqueteiros argentinos dizem sim à seleção. Eles são mais patriotas do que nós?

Robson Morelli

24 de julho de 2011 | 15h38

Alessandro Lucchetti, amigo e repórter dos bons desde outras redações, publicou reportagem no JT deste domingo sobre o diposição dos basqueteiros argentinos em defender a seleção de seu país e a falta de amor dos brasileiros em vestir a camisa da seleção nacional. Como estamos na véspera de tentar uma vaga para a Olimpíada de Londres, o assunto vem a calhar. Veja na reportagem o que alguns dos grandes nomes do nosso basquete acham do assunto.

A notícia é do dia 22 do mês passado, mas é o principal destaque do site da Confederação Argentina de Basquete até hoje. Trata-se de uma foto de Fabrício Oberto vibrando com a camisa de sua seleção, com a seguinte manchete: “Podem contar comigo”. O pivô já foi operado do coração. Em novembro de 2010, anunciou o fim de sua carreira profissional depois de se sentir mal numa partida de sua equipe na NBA, o Portland Trail Blazers, contra o Milwaukee Bucks.

Contudo, deu sequência a seu tratamento, realizou vários exames médicos e recebeu alta para se reincorporar à seleção argentina, que buscará vaga em Londres no Pré-Olímpico de Mar del Plata, a partir do dia 30 de agosto. Preocupado em não parecer “fominha”, deixa claro em seu comunicado que, se porventura não tiver condições de ajudar a equipe, será o primeiro a deixá-la, devido ao “respeito que requer a Seleção Nacional e o carinho que tenho por meus companheiros e amigos”.

É uma atitude bem diferente daquela demonstrada por Leandrinho, que comunicou por e-mail, a meia hora da apresentação, que não poderia defender a Seleção Brasileira por “motivos particulares”. Depois da péssima repercussão da notícia, fez uma romaria por alguns meios de comunicação para se explicar e disse que enviou o correio eletrônico dois dias antes da apresentação. De qualquer maneira, nota-se uma diferença muito grande entre os jogadores de nível NBA dos dois países quando são chamados para a seleção. Nenê, o brasileiro que está há mais tempo na liga profissional americana, desfalcou muitas vezes a Seleção, e Anderson Varejão chegou a pedir dispensa alegando que tinha de cuidar da renovação do seu contrato.

Grandes nomes da história da Seleção Brasileira ouvidos pelo JT têm opiniões divergentes a respeito desse comportamento.

Na opinião de Amaury Pasos, bicampeão mundial (1959 e 63), falta patriotismo aos brasileiros. “Sou filho de argentinos e vivi dos 5 aos 16 anos na Argentina. Estudei num colégio público e todos os dias cantávamos o hino antes e depois das aulas, quando era hasteada e depois recolhida a bandeira. Eles são patriotas. Já nós falamos mais ou menos a mesma língua e moramos aqui. Mas no fundo é cada um por si”, diz o hoje empresário, que está no Hall da Fama da Federação Internacional de Basquete.

Oscar Schmidt, que disputou cinco edições dos Jogos Olímpicos e foi cestinha de três delas, não se conforma. “Me irrita demais essa falta de amor pela Seleção Brasileira que alguns dos nossos jogadores da NBA demonstram. Tenho uma inveja danada dos argentinos. O Oberto, doente, vai jogar. Em competições importantes, você vê americanos como Kobe Bryant e LeBron James se apresentando. E aqui acontece isso. É uma pena, porque o time completo do Brasil é um timaço.”

Marcel Ponikwar, o ala responsável pelo último grande resultado da Seleção Brasileira – quando acertou um arremesso do meio da quadra que deu vitória para o Brasil na disputa da medalha de bronze do Mundial de 1978, nas Filipinas – é a voz dissonante. “Temos de entender a realidade de hoje. Os jogadores que estão na NBA emplacam uma sequência que vai de outubro a junho. Eles priorizam as competições mais importantes. O (argentino) Ginóbili não esteve no Mundial do ano passado. Os brasileiros vão jogar a Olimpíada de 2012. Já estou contando com a conquista da vaga em Mar del Plata.” Os sofridos torcedores do basquete brasileiro esperam que Marcel esteja certo.

3 GRANDES DESFALQUES
terá a Seleção Brasileira na Copa América Pré-olímpica: Anderson (lesionado), Nenê e Leandrinho

4 EDIÇÕES DOS JOGOS
não tiveram a Seleção Brasileira: 76 (Montreal), 2000 (Sydney), 2004
(Atenas) e 2008 (Pequim)

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.