Batismo do estádio de Neo Química Arena vai dar tranquilidade ao Corinthians e fôlego para bancar sua Casa

Dinheiro estimado é de R$ 300 milhões em 20 anos de acordo; clube terá de renegociar sua dívida de R$ 1,2 bilhão e espera que parceiro ajude time

Robson Morelli

01 de setembro de 2020 | 09h49

O Corinthians consegue dar passo importante em sua gestão com a apresentação do naming rights do seu estádio, que passa a se chamar oficialmente Neo Química Arena. O clube esperou dez anos desde que a obra começou a ser erguida em Itaquera para conseguir se juntar a uma empresa, a Hypera Pharma, a fim de batizar sua Casa. Faz isso porque precisa do dinheiro, não revelado, mas estimado em R$ 300 milhões em contrato de 20 anos. Não era como o Corinthians queria. O clube sonhava colocar uma marca em seu estádio antes da sua inauguração, na Copa do Mundo de 2014. E pedia R$ 400 milhões. Nesse período de espera, viu o preço da obra na ordem de R$ 800 milhões disparar para R$ 1,2 bilhão. E agora se vira como pode para acertar sua conta com seus credores, BNDES e Caixa.

O dinheiro chega ao clube em boa hora, quando o time, e todos os seus pares no Brasil, joga de portões fechados, não ganha com bilheteria e os atuais gestores, como o presidente Andrés Sanchez, têm uma eleição para ganhar. O namimg rights vai ajudar nessa empreitada. Tem peso diante do Conselho. Todo o dinheiro gasto no estádio também precisar ser comprovado, para que não haja suspeita de superfaturamento. Tomara seja assim.

Mas nem tudo muda com o batismo. Apesar de a data de 110 anos do clube ser importante e festiva, há problemas na temporada e em relação ao estádio e time. Andrés precisa renegociar com Caixa e BNDES, fazer um plano de pagamento que os credores aceitem, dar garantias… E, principalmente, fazer dinheiro de alguma outra forma que não com a presença de torcedores na arena. Não há previsão para o público voltar aos jogos e o dinheiro das arrecadações era todo ele voltado para bancar as prestações do estádio. Esse dinheiro terá de vir de outro lugar.

Os R$ 300 milhões darão fôlego ao dirigente. Em relação ao time, que continua sendo o principal patrimônio de um clube de futebol, há também muito trabalho para fazer. O Corinthians vai mal, joga mal e seus jogadores não respondem aos comandos do técnico Tiago Nunes. Mesmo o treinador anda meio perdido no cargo. Já deu tempo para ele mostrar mais. Vem pressão aí. Mas não imagino que haverá troca em ano eleitoral. O Corinthians espera “ganhar” dinheiro do novo parceiro para contratar jogador.

NAMING RIGHTS NA EUROPA

Allianz Parque – Palmeiras – R$ 300 milhões (30 anos)
Itaipava Arena Fonte Nova – R$ 3 milhões até 2023
Itaipava Arena Pernambuco – R$ 3 milhões até 2023
Neo Química Arena – Corinthians – R$ 300 milhões (20 anos)

 

NAMING RIGHTS NA EUROPA

Etihad Stadium, do Manchester City: 400 milhões de libras (R$ 2.9 bilhões)
Emirates Stadium, do Arsenal: 150 milhões de libras (R$ 1 bilhão)
Allianz Stadium, da Juventus: 103 milhões de euros (R$ 670 milhões)
Wanda Metropolitano, do Atlético de Madrid: 10 milhões de euros (R$ 65 milhões)

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