Blatter deveria renunciar

Robson Morelli

31 de maio de 2011 | 08h47

A Fifa vai dar um jeito de empurrar para debaixo do tapete toda a sujeira espalhada em sua Casa, por gente de dentro, dias antes de Joseph Blatter ser reeleito pela terceira vez (quarto mandato) à frente da entidade. As laranjas podres da família ficarão por lá por mais quatro anos, como se nada tivesse acontecido. Como se o futebol mundial estivesse em boas mãos, como se a democracia e o direito de falar fossem caractéristicas daquela Casa.

Comprar e vender voto e distribuir dinheiro para seus filiados, como se tem comprovado em troca de e-mails entre membros desta família, são entendidos pelo Capo como ‘momentos de dificuldades’. Onde eu fui criado isso tem outro nome. A Fifa parece o País das Maravilhas e Blatter lembra Alice, até no tamanho. 

Se a Fifa não dá exemplo nenhum ou dá exemplos errados, como podemos cobrar honestidade, integridade, transparência no futebol brasileiro, colombiano, italiano, espanhol, inglês…

A renúncia de Blatter deveria ser a única opção nesse momento. Mas quem fiscaliza deus? O próprio deus. E aí sabe-se de antemão, desde os primódios da Fifa, que nada vai acontecer. A única esperança é que a Europa se revolte e comece uma avalanche nos alpes suíços capaz de destruir tudo em Zurique.  Alguém forte precisa se indignar.

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