Blatter e Del Nero são da mesma escola. A escola do ‘não é comigo’

Blatter e Del Nero são da mesma escola. A escola do ‘não é comigo’

Presidente da Fifa se isenta de responsabilidade e diz que corruptos na Fifa são minoria. Cartola da CBF defende Marin e afirma que era apenas o presidente da FPF

Robson Morelli

29 de maio de 2015 | 09h09

A Fifa e a CBF apresentam comportamentos semelhantes frente às acusações de fraudes e corrupção de seus membros. São homens que vivem nas sombras. A entidade em Zurique tão logo viu seus dirigentes serem presos por corromper o futebol tratou de afastá-los do quadro executivo, ‘mostrado ao mundo’ que os ‘sujos e desonestos’ não cabem na Casa. Da mesma forma, a CBF anunciou que o ex-presidente José Maria Marin, um dos preso do esquema de corrupção deflagrado pelo FBI, está afastado de suas funções na entidade brasileira. Até seu nome, pendurado em letras garrafais na fachada da luxuosa sede na Barra da Tijuca, onde muita gente importante esteve para conhecer, foi apagado na calada da noite, aliás, como tudo é resolvido há anos no futebol nacional.

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Ante mesmo de Joseph Blatter aparecer nesta quinta em cerimônia da Fifa para dizer que os corruptos devem pagar e que ele, e sua instituição, não tem como olhar todos os seu membros por todos os dias e assim impedi-los de roubar, Marco Polo del Nero, presidente da CBF, disse na véspera que ele, até bem pouco tempo atrás, era apenas o presidente da Federação Paulista de Futebol, e que praticamente não sabia de nada.

Ora. Tanto Blatter quanto Del Nero posam de noivas traídas nessa história toda de corrupção, de anos, conforme se provou. Blatter manteve essa turma toda em cargos importantes na Fifa e, como ele insinuou em seu discurso na quinta, o primeiro após a prisão de seus colegas, jamais desconfiou de nada, jamais sentiu falta de um único centavo ou jamais quis saber sobre o enriquecimento de seus membros nem como eles administravam suas federações, torneios e ligas.

Del Nero, da mesma forma, negou Marin como os apóstolos negaram Cristo, claro, com grande diferença: Marin jamais foi Jesus, embora Del Nero passaria fácil por Judas, sobretudo porque foi dele a ideia de tirar o nome de Marin da sede da CBF, tentando romper qualquer ligação da entidade que preside com o senhor de 83 anos preso pelo FBI. Disse que não sabia de nada, que todos eram inocentes, mas na primeira chance juntou suas coisas numa mala e deixou seu hotel em Zurique, onde foi ao lado de Marin para votar em Blatter na eleição dessa sexta.  Volta ao Brasil para salvar a CBF e seu pescoço. Uma CPI será instaurada em Brasília. Del Nero terá de responder por tudo, já que é o presidente. Marin está preso e Ricardo Teixeira deixou o posto em 2012, sem paradeiro certo, ora em Miami, ora no Brasil, ora em algum lugar do mundo.

Como então retomar depois de tudo o que aconteceu? Blatter disse que os corruptos da Fifa são minoria. Del Nero, que não sabia de nada, mesmo andando ao lado de Marin nos últimos 24 meses ou mais, desde que ganhou a promessa do padrinho de que seria o próximo na sucessão. Como o futebol mundial, e brasileiro, pode ser retomado com esses dois no cargo máximo, como se nada tivesse acontecido? A verdade é que não pode. Como acreditar que estão isentos de tantas falcatruas feitas debaixo de seus narizes? A hora é de romper e não aceitar mais os mandos, como tentou fazer a Uefa, de Platini. A Fifa não é nada sem seus 209 associados, as confederações dos países, de todos os continentes. Assim como a CBF inexiste sem as federações estaduais, sem os times de norte a sul do Brasil.

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