Brasil vai para o divã depois de duas partidas ruins e situação ameaçada

Brasil vai para o divã depois de duas partidas ruins e situação ameaçada

Como na foto, trata-se de uma seleção desconfigurada

Robson Morelli

30 de março de 2016 | 13h42

Não é mais uma fábula o fato de a seleção brasileira ficar fora de uma Copa do Mundo. Trata-se de uma situação real e que seria inédita. Desde que a Fifa organizou a primeira competição mundial em 1930, vencida pela Uruguai, o atual líder das Eliminatórias para o Mundial da Rússia, o Brasil figura entre os selecionados. Seria o fundo do poço do futebol brasileiro, contrariando aqueles que achavam que não havia como afundar mais após o 7 a 1 contra a Alemanha na Copa de 2014. Há motivos que explicam a fragilidade da seleção, a começar pela forma com que seu treinador entende o riscado.

Dunga cobra raça e entrega, e não é de hoje, como se todos os jogadores que ele chama não se doassem. Ocorre que o treinador não consegue dar padrão tático ao time, organizar suas ideias e se fazer entender claramente. Quando Neymar está em campo, o Brasil entrega todo o trabalho para o jovem atacante do Barcelona. Ele, Willian e Douglas Costa são os encarregados de fazer gols e as jogadas de ataque. Graças ao talento do trio, até que tem funcionado. Nos primeiros 30 minutos diante do Uruguai, cheguei a pensar que o Brasil tinha achado uma formação.

Football Soccer - Paraguay v Brazil - World Cup 2018 Qualifier - Defensores del Chaco Stadium - Asuncion, Paraguay - 29/3/16. Team picture of Brazil. REUTERS/Jorge Adorno

Football Soccer – Paraguay v Brazil – World Cup 2018 Qualifier – Defensores del Chaco Stadium – Asuncion, Paraguay – 29/3/16. Team picture of Brazil. REUTERS/Jorge Adorno

Mas quando Neymar não está em campo, o Brasil não tem esquema. Contra o Paraguai, Douglas Costa e Willian se perderam e deixaram Ricardo Oliveira isolado. A seleção passou a jogar com um atacante de referência, o que não tem com Neymar na equipe. Os jogadores se confundem. Há ainda erros individuais em quase todas as partidas, e de jogadores que sabem atuar e são melhores do que geralmente mostram com a camisa do Brasil. Parecem que não estão à vontade, pressionados e cobrados pelo treinador. Miranda e David Luiz erraram contra o Uruguai. Daniel Alves (apesar do gol salvador), Filipe Luís e Fernandinho foram mal em Assunção. Comprometeram.

É preciso ainda apontar o papel de Neymar nesta história. O fato de ele ‘nunca’ estar em campo quando o Brasil mais precisa ou quando as coisas não estão dando certo ou a pressão é maior tem incomodado muitos torcedores. Neymar adora jogar no Barcelona e se diverte fazendo isso, combinando gols e jogadas com Suárez e Messi. O trio brinca e humilha os rivais. Na seleção, Neymar é outro, muito mais inconsistente. Pior. Perde o prumo quando suas jogadas não acontecem como na Catalunha, quando a marcação é intensa e quando é provocado e não consegue dar sequência às jogadas. Revida, se perde, toma cartão de graça e de bobeira.

O Brasil precisa de Neymar e ele precisa entender o tamanho desta dependência. Não pode se perder com coisas menores e prejudicar o time de Dunga ou de qualquer outro treinador. A última notícia que se tem de Neymar é que ele estava numa festa em Santa Catarina após ser dispensado pelo treinador. Não se tem notícias de Messi em situação parecida. Neymar ainda não sabe o seu tamanho para a seleção e para os milhares de torcedores do Brasil.

Na conta de Dunga ainda pesa o fato de a seleção jogar apressadamente, sem tocar a bola no meio de campo, apostando numa correria que quase sempre não leva muito longe. Não é mais um time insinuante, que faz o rival se curvar ou ao menos se preocupar, para não dizer temer. Há um elenco, mas não há uma equipe. Na sexta colocação nas Eliminatórias, portanto, fora do G-5 que carimba o passaporte para a Rússia, a seleção tem em cinco meses até o jogo contra o Equador, pela sétima rodada, mais duas competições para disputar, a Copa América nos EUA e os Jogos Olímpicos no Rio.

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