Brenner puxa a fila de jogadores que devem deixar o São Paulo no começo da gestão de Casares

Brenner puxa a fila de jogadores que devem deixar o São Paulo no começo da gestão de Casares

Atacante de 21 anos está de malas prontas para os Estados Unidos, um país onde pode estudar em alguma universidade, ganhar em dólar, mas desaparecer no futebol

Robson Morelli

05 de fevereiro de 2021 | 09h15

Começou a era Julio Casares no São Paulo. O novo presidente sabe que precisa virar o Morumbi de pernas para o ar e não deixar pedra sobre pedra no futebol do próprio clube. Só assim vai acabar com todos os vícios do vestiário e dos corredores do CT da Barra Funda. Há muitos. O dirigente sabe que deixar como está ou mudar parcialmente não vai tirar o São Paulo do buraco em que se encontra. Medidas paliativas não servem mais para o futebol do time. É como um remédio que vai perdendo seu efeito ao longo do tratamento e as doses precisam ser aumentadas.

Foto: Rubens Chiri/SP

A saída de Brenner puxa a fila da limpa no elenco. O atacante de 21 anos, revelado nas bases e um dos melhores do time na temporada, está de malas prontas para os Estados Unidos, um mercado até então pouco provável para um garoto-revelação. Brenner pode dar ao São Paulo pela negociação R$ 80 milhões, até um pouco mais dependendo do seu desempenho na nova casa. É dinheiro bom para quem não tem nada. Para as cifras do futebol, é apenas razoável. O Palmeiras ganhou mais do que isso com o título da Libertadores. Não precisou se desfazer de nenhum jogador, prática que o São Paulo faz anualmente.

Há outros atletas que devem ter o contrato rompido no São Paulo, renegociado ou simplesmente repassado para outro time. O zagueiro Bruno Alves e o goleiro Tiago Volpi podem ter o mesmo caminho. Esses três atletas são os principais para ajudar o clube a fazer dinheiro, uma necessidade a cada fim de temporada. Todos, em outras situações, não estariam na mira do presidente para deixar o elenco. Se saírem, de fato, será por opção própria. Volpi sonha em jogar na Europa e tem mercado para isso. Goleiros brasileiros estão sempre em alta lá fora. Bruno Alves tem a mesma intenção. Aos 29 anos, entende que chegou a hora de tentar alguma coisa fora do Brasil, inclusive melhorando sua condição financeira.

Em relação a Brenner, sua escolha talvez tenha mais a ver com dinheiro no bolso ou perspectiva de vida, como morar nos Estados Unidos e de lá ganhar o mundo, estudar, quem sabe. Não é comum bons e novos jogadores irem para mercados de segunda ou terceira linha, como é a liga americano de soccer. Os EUA estão longe de oferecer a competitividade que um Brenner poderia ter em sua carreira. Mas estudar numa faculdade ou usar o país como trampolim para outras praças pode ser um caminho traçado por seus agentes e familiares. São escolhas profissionais. Não há certo ou errado nelas.

O São Paulo precisa de dinheiro. Isso também não é novidade. Casares vai reduzir a folha e ganhar crédito. Ter opção para gastar é um dos caminhos de sua gestão. Está mais do que certo. Porque jogador bom aparece a todo instante e os clubes organizados são compradores durante os 12 meses do ano. Pelos menos os que têm algum dinheiro no cofre. O São Paulo precisa entrar nesse ciclo. O clube vai parar de gastar com jogadores que não estão rendendo nada. Ou mesmo naqueles, por gratidão de serviços prestados no passado, ainda estão no grupo.

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