Bruno e o Poços de Caldas: futebol no Brasil precisa ser mais sério e responsável

Bruno e o Poços de Caldas: futebol no Brasil precisa ser mais sério e responsável

O clube de Minas fez muito barulho por nada e Bruno sabia da sua condição; mesmo assim, se meteu a voltar a jogar

Robson Morelli

29 de outubro de 2019 | 12h54

Futebol com seriedade… Há uma parte dos torcedores brasileiros que levam o futebol com mais leveza, não se importando como a modalidade, por exemplo, é organizada ou como ela se prepara para as competições. Há uma outra turma, e não saberia dizer se ela é maior ou menor do que a primeira, que leva o futebol como uma verdadeira paixão, quase uma religião. Para essa parte, o futebol é muito mais do que apenas um jogo. Move uma legião de seguidores. Costumamos dizer no Brasil que há 210 milhões de treinadores no País. Assim, vale o puxão de orelha para o pessoal do Poços de Caldas, time da terceira divisão de Minas Gerais que usou a imagem do goleiro Bruno para se promover.

Muito barulho por nada… O Poços contratou o goleiro Bruno há dois meses. Bruno é aquele que foi condenado por 20 anos e 9 meses de prisão por ter assassinato a modelo Elizia Samúdio, com quem teve um relacionamento. O clube fez um barulho danado. Ganhou mídia espontânea pela coragem da iniciativa. Era para ressocializar um detento. Mas não durou nada.

Armação… Nesta terça-feira, o contrato de Bruno com o Poços foi rompido, o que nos faz crer que tudo não passou de “muito barulho” por nada. Uma armação? Não acredito. Mas o futebol deveria ser levado com mais respeito pelo Poços de Caldas. Seu presidente disse que o salário de Bruno, estimado em R$ 10 mil, era muito dinheiro. Ora, não deveria ter pensado nisso antes? Comentou também que Bruno não teve a liberdade que o clube esperava para ele treinar e jogar. Mais uma vez não pensaram no caso, ou se pensaram deram de ombros. E quem paga a conta é o futebol.

Bronca nas redes… Muita gente nas redes sociais entende que o goleiro, condenado, mas em condicional, não deveria sequer ter chance de voltar a jogar. Sem entrar neste mérito, digo que os cartolas têm a obrigação de tratar o esporte com seriedade e responsabilidade. Em qualquer divisão e modalidade. Não vi isso no contrato de dois meses do goleiro, em que o atleta atuou apenas 45 minutos quando foi apresentado, totalmente fora de forma, apenas treinando para não ficar parado. Mesmo o futebol do Poços de Caldas, um time da terceira divisão, mereceria mais respeito de seus comandantes.

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