Caminhos opostos a partir de agora de dois camisas 10, Messi e Mbappé

Caminhos opostos a partir de agora de dois camisas 10, Messi e Mbappé

França faz partida incrível e bate a Argentina por 4 a 3 nas oitavas da Copa do Mundo da Rússia

Robson Morelli

30 Junho 2018 | 13h32

Antes de mais nada é preciso ressaltar a beleza da partida entre França e Argentina na Copa da Rússia, válida pelas oitavas de final. Sete gols numa competição dessa grandeza não é comum. É só para os gigantes, eternos, que serão lembrados para sempre na história do futebol. Os 4 a 3 para a França contra a Argentina têm alguns significados, além da conclusão simples de que os franceses avançam e os argentinos retornam para casa. Há uma geração nascendo na França, talentosa e repleta de jogadores bons de bola de nomes esquisitos. Mbappé, Kanté, Matuidi, Pogba, Umtiti e por aí vai. Há um craque formado, Griezmann. E há uma outra geração morrendo, a de Messi, craque inigualável e que merece o maior respeito do mundo. Temos a facilidade de enterrar nossos ídolos sem o menor pudor. Messi merece muito mais do que isso. Provavelmente essa Copa foi sua última. Vendo jogar na Argentina, parece fácil a conclusão de que ele não tem mais forças para sustentar a história e tradição desse grande time. Pode não querer mais também.

Deixa a seleção, se isso de fato acontecer, sem ter vencido nada. Junta-se a outros craques como ele de outras épocas que também não conseguiram a façanha de erguer um troféu da Fifa. Zico foi um deles. O que não quer dizer que sejam menores. Já ouvimos a expressão “azar da Copa” se esses caras nunca ganharam a competição. Com Messi é esse o sentimento. Cinco vezes o melhor jogador do mundo sem nunca ter vencido um Mundial da Fifa.

Messi levou essa Argentina nas costas na última década. A cada derrota, e foram algumas doídas, era a sua imagem que as câmeras de tevês buscavam. A cara da desilusão. Não foi diferente após a derrota neste sábado para a França. E isso com a Argentina conseguindo fazer três gols. Messi sai de cena para o mundo conhecer e aplaudir um novo camisa 10, Mbappé, 19 anos e muita lenha para queimar. Craque que joga com Neymar no Paris Saint-Germain. Menino com cara de menino que cresceu nas periferias de Paris.

Mbappé lidera uma equipe de ótimos jogadores. Não é o principal jogador da França porque ainda é muito garoto. Há outros mais formados no time, como Griezmann, por exemplo. Mas Mbappé já é um dos nomes desta Copa, com dois gols diante dos argentinos e muito futebol jogado. A França, além de colocar a juventude de sua equipe à prova, mostra-se um time muito bem organizado, com linhas bem definidas e distribuição interessante do meio para frente. Chega em bloco, mas, acima de tudo, com passadas largas para destruir o adversário. Foi assim contra a Argentina.

Messi e Mbappé tomam agora caminhos diferentes no futebol, quase uma troca de bastão de um excelente camisa 10, eterno, para um jovem promissor que dará muito o que falar ainda em sua seleção.