Canindé: é muito amadorismo

Robson Morelli

26 de agosto de 2009 | 14h36

Não é de hoje que os torcedores perderam a medida das cobranças no futebol. A paixão é grande, a gozação pelas derrotas incorpora a cultura brasileira, mas nada explica atitudes agressivas contra jogadores e técnicos. O que ocorreu ontem no Canindé ultrapassa os limites do relacionamento entre clubes e torcedores, mesmo se esses forem travestidos de conselheiros, o que parece ter sido.

Lá pelos idos de 1996, fui setorista da Portuguesa, que tinha um time de respeito treinado por Candinho. Quase foi campeão brasileiro dentro do Olímpico contra o Grêmio, de Felipão. Naquele tempo, o vestiário do estádio já era frequentado por todo tipo de dirigente/torcedor que se pode imaginar.

Diferentemente de hoje, eles ganhavam o local para parabenizar o elenco. Tomavam espaço dos jornalistas e quando não gostavam de alguma reportagem, intimidavam o repórter com dedo na cara. Portanto, o que aconteceu ontem após a derrota para o Vila Nova não é um comportamento novo no Canindé. Esses conselheiros entram em locais que não deveriam porque se acham mais importantes do que são. Vestiário é lugar sagrado no futebol. É altar que só o time e a comissão técnica podem frequentar.

Não importa se o Manuel Qualquer paga o bicho ou banca a folha de pagamento. A regra precisa valer para todos. Mas somente um presidente independente é capaz de tomar decisões dessa natureza. Espero que a invasão na Portuguesa, que afugentou meio time e fez o técnico René Simões pedir as contas, sirva de exemplo para o próprio clube e para as demais equipes do Brasil. O futebol precisa deixar o seu amadorismo de lado. O Jornal da Tarde trará uma reportagem completa sobre o assunto na edição de amanhã.

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