Canoagem brasileira é destaque no Pan, quem diria!

Canoagem brasileira é destaque no Pan, quem diria!

Em temporada de safra ruim do futebol, esportes amadores podem ganhar terreno. Pena que os clubes não se interessam por outras modalidades

Robson Morelli

15 de julho de 2015 | 11h14

A canoagem (isso mesmo) fez terça-feira a alegria do torcedor que acompanha o desempenho do Brasil nos Jogos Pan-Americanos de Toronto. A modalidade deu ao País nove medalhas, mas até outro dia ninguém apostava um único dinheirinho nesse esporte, que para muitos mais parece diversão de acampamento em fim de semana. O Badminton nacional também debuta numa final de Pan. Isso só comprova a sensação de que o Pan, qualquer Pan, não deve servir de parâmetros para uma Olimpíada. Meu único senão é que o Pan pode revelar, descobrir ou aprimorar bons competidores sim em esportes que talvez não estejam no foco da mídia e, consequentemente, do público, como canoagem e badminton.

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Isaquias Queiroz, dono de boas e brilhosas medalhas do Brasil no Canadá, por exemplo, desembarcou em Toronto na condição de campeão mundial em sua prova na canoagem. Ou seja: não era um ‘zé-ninguém’ numa aventura pelas Cataratas do Niágara. Ocorre que a maioria dos brasileiros, apesar do 7 a 1, ainda só tem olhos para o futebol, e talvez para mais meia dúzia de outros esportes, se tanto, acompanhados mais de perto, muitas vezes por insistência da própria TV em mostrar, reprisar e tornar a colocar no ar em horários diferentes e alternativos.

Fizesse agora mesmo uma enquete sobre a força da canoagem ou do badminton nos esportes olímpicos do Brasil, seria bem provável que a pesquisa zerasse em alguns itens. Tirando vôlei, basquete, judô e natação, sobraria bem pouco para torcer. Tenho conhecidos que chamam esses esportes de educação física. Não é.

Isso mudou e tomara continue mudando até a Olimpíada do Rio. Aliás, só tem mudado porque o Brasil vai sediar pela primeira vez os Jogos Olímpicos. Os chamados esportes amadores sempre foram desprezados no País do Futebol, salvo projetos-relâmpagos que, na maioria das vezes, não têm continuidade. Os clubes de futebol, esses por quem torcemos, que poderiam se valer de suas bandeiras para engajar torcedores em diversas modalidades, deram as costas para suas raízes em alguns casos, como os times do Rio, que já tiveram no remo a porta de entrada de seus associados.

Recentemente, o Palmeiras informou a descontinuidade do basquete adulto. O Vasco já teve projetos olímpicos que ficaram pelo caminho. O Corinthians vai e volta em suas apostas na natação e maratona aquática. Mas a maioria não quer saber de nada. Tirando o futebol, sobra pouco. Nem futebol de salão anima os dirigentes a formar equipes e investir, quase sempre com a desculpa de que essas modalidades não se pagam e que o clube não tem patrocinadores capazes de levar o esporte adiante.

Se faltando um ano para a Olimpíada do Rio esse é o cenário, imagina depois dos Jogos? Não me arrisco nem animo a apostar no futuro dos nossos bravos atletas que estão em Toronto, buscando marcas para a Olimpíada e tentando sobreviver dos esportes que escolheram para praticar. Há alguns competidores que se valem quase que unicamente do Bolsa Atleta do governo para continuar evoluindo e se aprimorando, bancando suas despesas com dinheiro contado. O Rio 2016 deveria servir de catapulta para os esportes olímpicos no Brasil, de modo a fazer brotar atletas de todas as modalidades, em todos os rincões do País. E assim, teríamos mais a oferecer quando a safra do futebol for ruim.

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