‘Caso Léo Moura’ resgata uma discussão ultrapassada no futebol brasileiro

‘Caso Léo Moura’ resgata uma discussão ultrapassada no futebol brasileiro

Não cabe mais qualquer perseguição a jogadores que queiram trocar de time e atuar no rival

Robson Morelli

23 de junho de 2015 | 12h06

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O ‘Caso Léo Moura’ no Vasco levantou uma antiga e ultrapassada, para não dizer burra, discussão no futebol brasileiro: a pressão que um jogador sofre quando sai de um time e vai atuar em seu rival. Na segunda-feira, o presidente do Vasco, Eurico Miranda, disse que estava acertado com Léo Moura, que deixou o Flamengo depois de 10 anos, passou pelos Estados Unidos e agora está voltando para o Brasil. Tudo isso em três meses. O Flamengo agradeceu ao jogador e até fez um jogo de despedida para o lateral, que já atuou, diga-se, em todos os clubes do Rio.

O fato é que após ter o nome anunciado pelo Vasco, Léo Moura foi duramente castigado nas redes sociais. Eram flamenguistas criticando sua postura de ter aceitado jogar no time de São Januário. Ora, na cabeça desses torcedores, Léo Moura jamais poderia vestir a camisa de um adversário, sobretudo do Rio, porque sua imagem estava vinculada ao Flamengo, como a de Zico ou Pelé, no Santos. Ou ainda Marcos, no Palmeiras. E Rogério Ceni, no São Paulo. OU ainda Vampeta, no Corinthians. E assim por diante.

Primeiro, Léo Moura é ‘minhoca’ perto de todos esses jogadores citados. Segundo, não cabe mais no futebol moderno esse pensamento pequeno e pobre sobre o jogador de futebol. O torcedor não se dá conta de que uma série de atletas está deixando suas equipes, como Corinthians, São Paulo e tantas outros, por falta de pagamento de salário. Então, caro torcedor, não existe amor. O que existe é profissionalismo. O clube paga, o jogador fica. O clube não paga, o jogador vai embora. E pouco importa se ele jogou um ano ou uma década na equipe. É claro que o jogador, quando fica muito tempo no mesmo lugar, acaba repensando e dando mais crédito aos dirigentes, mas tudo isso com ressalvas e limites.

O torcedor continua preso ao passado. Todo atleta tem o direito de trocar de equipe, mesmo se elas forem rivais. Mas nem todos têm essa coragem. Alan Kardec fez isso quando estava no Palmeiras. Não conseguiu renovar seu contrato pelo que queria e se mandou para o São Paulo. Paciência. Assim como o Palmeiras já tirou outros jogadores dos rivais. E assim deve valer para todos no futebol brasileiro. É importante que o atleta se doe quando vestir a camisa do seu time e nada mais importa.

O que rege o futebol é o dinheiro. A bandeira já foi mais importante no passado, mas isso mudou. Felizmente mudou. Porque agora todo clube tem a chance de contratar. Antes da Lei Pelé, o jogador era patrimônio do clube, quase uma mobília. Nascia e morria no mesmo time. Agora, não. Pena que Léo Moura mudou de decisão. Desistiu do Vasco porque temeu sofrer no Rio. Temeu que sua família fosse perseguida. Isso, de uma vez por todas, precisa acabar no futebol.

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