CBF e clubes do Brasil deveriam se unir contra os mandos e desmandos da Conmebol

Mas não há muitos interessados em mudar isso no futebol nacional. É cada um por si e ninguém por todos. Lastimável.

Robson Morelli

28 Agosto 2018 | 10h37

Moralmente, o Santos já está coberto de razão. É inadmissível que a entidade que rege o grande futebol sul-americano, dono de nove títulos em Copas do Mundo, seja tão baixa e fraca para tomar decisões importantes. Refiro-me ao jogo do Santos com o Independiente, nessa terça, no Pacaembu, às 19h30, pela Libertadores, a nossa Liga dos Campeões. As duas equipes foram dormir na segunda-feira sem saber qual placar classificaria um ou outro, como se isso não fosse importante e fundamental para os treinadores, como se isso não mudasse o cenário do jogo, como se isso não refletisse no desempenho da arbitragem e dos jogadores.

Carlos Sánchez, expulso em 2015 quando defendia o River Plate, não cumpriu a suspensão porque foi para o México. Voltou, teve a dívida de três jogos reduzida para um pela Conmebol numa promoção que a entidade fez por causa do seu centenário em 2016 e não deveria ter atuado na partida de ida entre as equipes, semana passada, quando houve empate sem gols. De acordo com o Santos, o clube fez a consulta se poderia usar o jogador e a Conmebol mostrou em seu sistema de jogadores que “SIM”. Num rápido resumo, esse é o caso. O Independiente entrou com processo e pediu W.O.. Se a Conmebol concordar com isso, pune o Santos e o placar da partida passa a ser 3 a 0, o que obrigaria o time da Vila a repetir o placar no Pacaembu para levar a decisão aos pênaltis.

Ora. A confusão só existe porque a dona Conmebol demora para se posicionar, espera o dia do jogo para apontar seu parecer. Confunde a todos dessa forma. Isso porque a entidade prega uma nova política e comando depois da série de prisões por corrupção de seus membros no passado recente. A bem da verdade, não mudou nada. São comandos fracos. O caso corre há uma semana. É lastimável.

Como também é lastimável a postura cega, surda e muda da CBF, que só se enfraqueceu depois da bola fora (voto contrário à Conmebol) do presidente Nunes durante a Copa do Mundo da Rússia. Ora, a CBF não deveria defender seu filiado, o Santos, rogar por ele e tentar solucionar o mais rapidamente possível o caso? Mas a entidade lava as suas mãos e se finge de morta. Não me surpreende. Está interessada no amistoso da seleção brasileira contra El Salvador e EUA.

Da mesma forma, os clubes do Brasil deveria se solidarizar com o Santos, de modo a se manifestar e até pensar (juntos) numa forma de evitar que isso aconteça novamente com qualquer outro clube do País. Mas nada disso ocorre. A desunião é total. Cada um por si e ninguém por todos. Uma várzea. Ou melhor, nem a várzea é tão desorganizada assim. Há nela um mínimo de comprometimento de seus participantes.

Tomara a decisão não mexa com a ira dos 30 mil torcedores do Santos que estarão no Pacaembu nesta noite. Temo por desgraças maiores, brigas e até mortes. Tomara esteja errado.

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