CBF e Globo preparam o terreno para acabar com os jogos das 22h

Entidade mostra pesquisa em que a maioria é contrária a esse horário para o futebol. Emissora de TV teria de aceitar as mudanças, uma vez que ela detém o contrato de transmissão dos campeonatos

Robson Morelli

10 de setembro de 2015 | 21h36

A CBF divulgou enquete sobre o horário dos jogos de futebol. A maioria condenou o horário das 22 horas. O torcedor não tem mais condições, paciência nem coragem para invadir madrugada a fim de ver o seu time. Vai porque ama sua bandeira e o futebol, mas se pudesse escolher, ficaria com as partidas em horários mais nobres, entre 20h30 e 21h.

Acuada em sua casa, a CBF tenta mudar algumas coisas no futebol para ter o apoio da sociedade. Como diria o pensador, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Nada do que a CBF faça, confirmando as acusações de corrupção que seus membros e ex-membros sofrem, mudará esse quadro diante da opinião pública. Se o presidente Marco Polo del Nero tiver culpa no cartório, terá de entregar o cargo, devolver dinheiro e pagar sua conta na Justiça. Ele e os envolvidos.

De qualquer forma, como diz quando perguntado por que não viaja mais com a seleção para fora do Brasil ou em encontros da Fifa e Conmebol, Marco Polo tem de cuidar das coisas do futebol brasileiro, seja lá o que isso signifique. Então, para aparentar um sujeito que pensa no bem estar no torcedor, resolveu sair com essa enquete, que é boa. Seria muito interessante se a CBF acabasse com o horário das 22 horas dos jogos. Bom para o torcedor, sobretudo. Sou totalmente favorável.

Ocorre que há contratos com a Globo. E até onde se sabe, é a emissora que determina o horário das partidas. Sempre foi assim. Acabar com isso teria de ter a aprovação da Globo. Ou um rompimento dos contratos, com multas. Não é fácil romper com a Globo, que, bem ou mal, sustenta o futebol brasileiro há décadas. A emissora pode ter todos os defeitos do mundo, o que não tem, mas ela comprou o futebol e leva as partidas religiosamente duas vezes por semana para dentro de nossas casas. É claro que ganha dinheiro com isso. Mas o torcedor precisa apenas ligar seu aparelho de TV e sintonizar o canal da emissora para ver uma partida. Sem pagar nada. É preciso reconhecer isso também.

Mas há sinais, e não somente da CBF, de que o horário dos jogos das 22 horas pode estar mesmo fadado a desaparecer.

Pense comigo. Além da pesquisa do nada divulgada pela CBF, a Globo trabalha com folhetins ou minisséries em horários alternativos, bem mais tarde que o tradicional ‘horário da novela’. Na verdade, esse horário já foi empurrado para as 21 horas,  de modo a preparar o telespectador para uma mudança. E qual seria ela? Passar a novela depois do futebol. Entra o JN, começa o jogo, passa a novela. É claro que a Globo não abriria mão nesse primeiro momento do horário das 18h e 19h30 das novelinhas, intercalados por um noticiário mais reduzido, rápido, antes do Jornal Nacional.

Como todo mundo sabe, a CBF e, consequentemente sua parceira no futebol, a Globo sofrem pressão para mudar o calendário do futebol, de modo a reduzir os Estaduais e até o Nacional, para assim formar torneios mais fortes e competitivos. Os dirigentes, não todos, mas alguns, já compraram essa ideia e estão dispostos a tomar o poder do futebol brasileiro. A criação de uma Liga Sul-Minas-Rio está confirmada e ela abre caminho para enfraquecer a CBF e seus contratos. Quem não depender financeiramente da Globo e quiser renegociar os direitos de imagens do clube que administra, poderá fazer isso individualmente, quem sabe sem o aval até da CBF. A emissora X pode comprar os direitos do Corinthians e somente ela mostrará as partidas do time de Tite quando o time for mandante. E assim vale para todos.

Todas essas possibilidade de mexidas no tabuleiro do futebol podem resultar num modelo novo e moderno para o futebol brasileiro.

 

 

Tudo o que sabemos sobre:

futebol; cbf; brasileirão

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.