Chegou o período do ano em que os clubes se endividam com jogadores ruins

Hora de ir às compras, mas também de contratar errado e arrumar dívidas por três ou mais temporadas

Robson Morelli

06 Dezembro 2018 | 10h14

Chegou a hora de os clubes do futebol brasileiro se reforçarem para a próxima temporada. Esperanças são renovadas. Tudo o que deu errado em 2018 é esquecido ou perdoado. Infelizmente é hora também de gastar mais do que tem e, invariavelmente, gastar errado. É dessa forma e nesse exato período do ano que os clubes “quebram”, fazem contratos com jogadores ruins por três ou mais temporadas e aumentam seus gastos mensais sem ter “nada” em troca.

 

As contratações são necessárias. Também é uma forma de os dirigentes jogarem para a torcida o esforço de mudar e melhorar o que não deu certo no ano. Falta, no entanto, inteligência e coragem para quem assina o cheque. Inteligência para contratar apenas jogadores que possam render no time e coragem para dizer “não” a agentes que tentam empurrar jogadores ruins aos elencos, de modo a fazer com que seus clientes tenham bons empregos e bons salários.

Quase sempre as contratações dão em nada. As piores são aquelas em que o jogador assina por três anos ou mais ganhando salário altíssimo pelo que entrega em campo. Os clubes estão abarrotados de atletas nesta condição. Verdadeiros “micos” nas mãos dos treinadores. Isso quando o treinador ainda está no time. Porque, em muitos casos, ele nem é mais o mesmo que pediu a contratação daquele jogador. Ou seja: o cara só treina, joga bem pouco, não oferece nada e ganha um salário de fazer inveja a qualquer diretor de empresa do Brasil.

O resultado dessa má gestão, para não apontar negociações sob suspeitas, são dívidas aos clubes, gastos maiores do que eles comportam e dinheiro mal empregado. Os cartolas saem comprando, comprando, comprando e não conseguem levar um bom jogador para seus respectivos times. Poucos fazer o trabalho de forma produtiva.

Também não é um trabalho de apenas uma “ida à feira”. Veja o caso do Palmeiras. O elenco campeão brasileiro começou a ser montado em 2015, comprando errado e certo. Peneirando. Voltando ao mercado. Vendendo e se desfazendo de jogadores. Até passar ao estágio das compras pontuais. Mas como todo time já tem um esqueleto razoavelmente montado, o que faltaria a ele é uma ou duas peças para fazer a diferença.

Mais vale gastar em duas boas contratações, certeiras, do que investir o mesmo dinheiro em dez reforços para “formar grupo”. Esse “formar grupo” enterra qualquer time sem boa gestão. É uma praga no futebol. É uma praga ao modo de pensar e administrar de nossos dirigentes esportivos.