Clubes começam a fazer contas e acenam que 25% a menos do salário dos jogadores não são suficientes

Sem dinheiro no caixa e sem dinheiro entrando na conta, próximo passo será reduzir elencos, demitir funcionários e refazer contratos

Robson Morelli

20 de abril de 2020 | 09h00

Os clubes propuseram, em sua maioria, redução de 25% do salário de jogadores e membros da comissão técnica. Poucos times no Brasil têm dirigentes remunerados assumidamente. Partindo do pressuposto que a folha de pagamento dos grandes clubes do Brasil esteja na casa dos R$ 15 milhões mensais, o desconto proposto seria de R$ 3,7 milhões, o que já ajudaria, mas ainda insuficiente para parar o sangramento financeiro das associações esportivas. É claro que esse valor atinge apenas clubes como Flamengo, Palmeiras, São Paulo, Corinthians e alguns outros tantos da Série A.

O fato é que esses times pagam por ultrapassar a casa do R$ 1 milhão por mês para alguns de seus jogadores. Há um grupo de atletas que entrou nesta cifra em 2019 e 2020. São jogadores, na maioria das vezes, repatriados da Europa ou com contratos ainda presos a times europeus. Dois exemplos: Gabigol, do Flamengo, que resolveu ficar no Rio, mas cujo contrato pertence à Inter de Milão; e Daniel Alves, que voltou ao Brasil e obrigou o São Paulo a fazer uma engenharia financeira para pagá-lo. São dois ótimos jogadores. Não é esse o ponto.

O ponto é saber se o clube tem como pagá-los. A equação já era difícil antes da pandemia. Ficou pior. E os clubes vão ter de aumentar os cortes e reduzir ainda mais os salários. A conta continua não fechando. Daí a pressão que eles próprios se colocam para retomar os jogos. O segundo semestre de maio é um período em que o futebol brasileiro pode ser retomado na cabeça dos dirigentes. É uma questão de sobrevivência, como diz o presidente Jair Bolsonaro, independentemente do contexto de contágio e morte da covid-19.

O próximo passo dos times é demitir jogadores, romper contratos e negociar multas rescisórias. A retomada não será imediata, entendem aos dirigentes. O dinheiro de bilheteria é incerto. Não se sabe se o torcedor vai voltar imediatamente aos estádios. O dinheiro de TV é garantido, mas pode chegar a conta-gotas. A Turner ameaça romper com os oito clubes com quem tem contrato no Brasileirão, entre eles Palmeiras, Santos e Fortaleza. Se isso acontecer, financeiramente o torneio estará comprometido para esses times. Certamente eles vão para a Globo, mais fracos e sem poder exigir nada ou muito. Os patrocinadores sumiram e vão pisar no freio também.

A Crefisa, por exemplo, cujo serviço está diretamente ligado ao atendimento do público, fechou suas portas. Não empresta dinheiro como emprestava. Tirou patrocínio de outros lugares e refaz suas contas. A faculdade que administra também deve ter inadimplentes como todas as outras no País. As aulas estão suspensas. Ela está com o Palmeiras desde 2015.

Todos os clubes terão de renegociar parcerias e contratos e todos, nos dois lados da mesa, terão razão em seus argumentos. O fato é que o dinheiro não entra e vai demorar para entrar como entrava antes. Se entrar. Os clubes então terão de se reinventar. Enxugar vai ser o segundo passo depois da redução dos salários.

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