Clubes e torcidas deveriam trabalhar juntos pelo bem do futebol brasileiros

Briga e morte de palmeirense no Paraná está muito mal explicado ainda: policiamento, ao que parece, errou na condução das caravanas visitantes na partida do Palmeiras com o Coritiba

Robson Morelli

14 de junho de 2022 | 11h39

Essa história da briga dos palmeirenses com torcedores do Coritiba no Paraná está mal explicada e deveria servir como divisor de águas no tratamento desses seguidores no futebol. Foi no último fim de semana, em jogo que recolocou o Palmeiras na liderança do Brasileirão. Os relatos não batem. Não é mais comum as torcidas organizadas se enfrentarem nas imediações do estádio, onde há policiamento ostensivo. As caravanas visitantes geralmente são acompanhadas quando cruzam os perímetros da cidade.

Informações dão conta de que os ônibus da Mancha Alviverde, do Palmeiras, foram mal conduzidos por ruas que não deveriam passar e que trombaram com os seguidores rivais. A Polícia, ao que se sabe, teria tratado com desdém os torcedores paulistas. Erraram no caminho e no trato. Mas como é possível errar quando se faz isso com frequência, em todas as temporadas, rodada sim rodada não? Por isso que a história está mal contada. A Mancha fala em “emboscada”. Não sei ao certo. Nem quero entrar nesse mérito sem provas.

Foto: Palmeiras

Todos nós sabemos que esses torcedores são de briga. Não são santos nem nunca foram. Daí a necessidade ainda maior de eles serem levados com mais seriedade e respeito em suas aventuras pelos Estados brasileiros. Ao que se sabe, só saem da base quem tem ingresso comprado. Portanto, a tese de invasão também não bate. Deveria haver uma investigação para se apurar melhorar os fatos. Os acessos são restritos. Enquanto a gente não conseguir resolver esse problema das brigas por qualquer coisa, é preciso organizar essas caravanas para que nada ocorra de errado, como em Curitiba, durante o Brasileirão. Não queremos mais mortes. A vida está sendo banalizada.

O policiamento ou a organização montada para escoltar os ônibus do Palmeiras na cidade de Curitiba, deste ponto de vista, deixou a desejar. Não sei dizer se o rapaz palmeirense que morreu, morreu por causa disso. Ele não tinha ferimentos pelo corpo, conforme disse um delegado local. Havia um problema de saúde, diabetes, e isso foi explicado como a causa da morte. Outros ficaram feridos na briga e no confronto com o policiamento. Houve tiros de bala de borracha. Já cobri muito isso e sei como é. Os dois lados vão na “coragem”.

Enquanto os clubes, como instituições, não se aproximarem de suas torcidas, isso vai continuar acontecendo. Palmeiras, Corinthians, Coritiba, Flamengo, e todos os outros, precisam responder por suas uniformizadas de alguma forma, e as torcidas precisam seguir alguns padrões de comportamento para saírem da “marginalidade”, como todas são vistas e taxadas atualmente, não sem motivos. No caso do Palmeiras, clube e Uniformizada estão rompidos.

As brigas, as mortes, as invasões, as pichações, os quebra-quebra, tudo isso contribuiu para que elas fossem vistas dessa maneira. Mas é preciso mudar. Já passou do tempo de mudar. Só condenar mostra a nossa incapacidade. O futebol precisa de todas as suas partes. É preciso haver punição, mas também respeito. Deveres e obrigações. Enquanto isso não for entendido, tudo vai ficar como está. Péssimo!

Tudo o que sabemos sobre:

futebolbriga de torcidapalmeirasCoritiba

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.