Clubes já pensam em ‘esfolar’ o torcedor com preços de ingressos salgados nas decisões

Palmeiras estuda cobrar R$ 400 para os jogos da Copa do Brasil

Robson Morelli

04 Setembro 2018 | 11h48

O futebol brasileiro caminha para partidas mais emocionantes neste restinho de temporada. Emocionantes e decisivas. Tem Copa do Brasil e Libertadores se afunilando, em jogos mata-mata. E um Campeonato Brasileiro tomando rumo depois da parada da Copa do Mundo, com três pelotões quase definidos: o da ponta, o time intermediário e o grupo ameaçado de cair. O torcedor está animado.

Ocorre que agora, por causa dessas partidas mais interessantes, alguns clubes esfregam as mãos e olham para o torcedor como fonte de renda. Sim, eles vão começar a ‘esfolar’ o pobre torcedor com preços de ingressos nas alturas. O Palmeiras, por exemplo, estuda praticar valores para seus jogos na Copa do Brasil fora da realidade, algo em torno de R$ 400. Isso para torcedor comum.

R$ 400. É mais do que um tanque cheio de gasolina aditivada. É, em muitos casos, bem mais do que a compra do mês para muitas famílias brasileiras. É, talvez, o aluguel suado do mês, da casa simples que dá abrigo à família por 30 dias. E pode ser também o valor de um jogo de 90 minutos, tirando o lanche, o pastel e a bebida. A conta sai cara.

O Palmeiras não precisa fazer isso para ganhar dinheiro. Não é hora de ganhar com a renda, embora isso seja tão importante quanto ganhar competições. É hora de tratar bem e fidelizar o torcedor em seu estádio, para que ele possa se sentir acolhido e voltar na temporada seguinte, nos meses de janeiro e fevereiro, março e abril, quando os torneios estão só começando. Todos os clubes envolvidos nas grandes competições e com chances de alguma conquista acabam se rendendo à tentação de aumentar o preço dos ingressos.

As condições são as mesmas de outras partidas, mas a proximidade das fases decisivas leva o clube a cobrar mais. E todos os setores do estádio acabam sofrendo correções. O cara que pagava R$ 100 passará a pagar R$ 130. E assim sucessivamente. Não deveria ser desta maneira. Espero que os órgãos competentes olhem para isso e tomem providências. Eles estão de olho, isso é sabido. Não se pode aumentar os valores das coisas sem boas explicações. Há muta gente com a boca no trombone, reclamando e denunciando. Isso ajuda também.

O São Paulo, quando mais precisou de seu torcedor, ano passado, viu o Morumbi lotado, com sua torcida empurrando o time para cima dos rivais, na esperança de evitar o rebaixamento. Praticou preços baixos, entendendo que, naquela hora, precisa mais do calor dos seguidores do time do que do seu dinheiro. A verdade é que o time sempre vai precisar mais da torcida, da casa cheia, do que de uma diferença na bilheteria. Sempre.