Com cera e cai-cai, os próprios jogadores “mataram” o fair play no futebol brasileiro

Com cera e cai-cai, os próprios jogadores “mataram” o fair play no futebol brasileiro

Nossos atletas simulam tudo, de falta a lesão quando são substituídos, todos querem levar vantagem na partida

Robson Morelli

03 de outubro de 2019 | 10h48

Filipe Luís no chão… O gol do Grêmio no empate com o Flamengo em Porto Alegre, quase no fim da partida, aconteceu quando um jogador do time do Rio estava caído no gramado. Filipe Luís sentiu dores em um dos joelhos quando atacava. O Flamengo perdeu a bola e o Grêmio se lançou com a bola, mais um ataque de uma disputa emocionante, digna da grandeza das duas equipes. Filipe Luís no chão e a bola rolando.

Dane-se o colega… O juiz não parou a partida, tampouco os jogadores gremistas. Dane-se o colega. Há algumas semanas, o próprio Filipe Luís comentou que uma das coisas diferentes do futebol brasileiro em relação ao da Europa era o chamado “cai-cai” dos atletas, que paravam a partida a todo instante. “Lá na Europa, isso não ocorre. Se um jogador simular, a própria torcida do seu time é capaz de vaiá-lo”, disse o lateral do Flamengo, não exatamente com essas palavras.

Cadê o respeito ao companheiro… Filipe Luís tocou no tema após o jogo na Arena do Grêmio. Disse ser sempre pelo fair play, em qualquer situação. Comentou ainda que os jogadores são também educadores, são exemplos para outras pessoas e crianças, e que parar a jogada seria um sinal de respeito ao atleta caído no chão.

O jogador matou o fair play… Estou com ele 100%. Penso igual e defendo o fair play acima de tudo no esporte. Ocorre que os próprios jogadores brasileiros “mataram” o jogo justo no Brasil, com cera e simulação o tempo todo, com a intenção de enganar o árbitro, parar o ímpeto do rival e fazer deixar o tempo passar. Em resumo, os jogadores brasileiros praticam o antijogo quando isso lhe interessa, quando o resultado está de bom tamanho, quando sentem que é melhor “agarrar” o oponente para não ir à lona.

A lei da vantagem… Fair play no Brasil não existe porque todos querem levar vantagem. O jogador caído se cura com água gelada no tornozelo. O atleta que vai ser substituído se esparrama pelo chão para sair de maca. A falta sofrida vira uma declaração de guerra para o juiz punir o infrator duramente. É todo mundo querendo enganar alguém no futebol. Por isso que a Fifa, e seus pares, anda tentando mudar regrinhas para tornar o jogo mais rápido e “mais jogado”. Joga-se pouco dentro dos 90 minutos.

Tem de parar de encenar… Então, a conclusão é que se os jogadores não pararem de encenar dentro de campo, eles próprios nunca vão poder recorrer ao fair play. Isso deveria passar pela comissão técnica dos times e até direção de futebol. Sabemos que há treinadores que pedem o “cai-cai” quando isso pode ajudar no decorrer da partida. Infelizmente é assim no futebol brasileiro. Talvez, se o juiz tivesse parado a jogada, ou mesmo os jogadores gremistas, o Flamengo não teria sofrido o gol de empate. Talvez.

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