Vítima de injúria racial e com jogador acusado de cometer racismo, torcida do Corinthians ameaça gritos homofóbicos contra atletas do São Paulo

Vítima de injúria racial e com jogador acusado de cometer racismo, torcida do Corinthians ameaça gritos homofóbicos contra atletas do São Paulo

Torcida no futebol parece que não vai mudar nunca, daí a necessidade de penas mais rigorosas, como portões fechados, perda de mando e exclusão

Robson Morelli

23 de maio de 2022 | 10h10

Fosse o futebol brasileiro sério e com vontade de mudar o malfeito, o Corinthians deveria ser punido após ameaças de gritos homofóbicos contra jogadores do São Paulo no clássico na Neo Química Arena, domingo, cujo jogo acabou empatado por 1 a 1. Logo a torcida corintiana que sentiu na pele recentemente injúria racial e teve seus próprios seguidores humilhados com gritos e gestos de “macacos” recentemente. Pede punição com uma das mãos e atira a pedra com a outra. Foi o que aconteceu em Itaquera, onde havia 45 mil corintianos em jogo pelo Brasileirão diante do Tricolor.

O lateral Rafael Ramos foi acusado formalmente pelo jogador Edenilson, do Inter, de ter cometido injúria racial em partida do Brasileirão. Cássio foi ameaçado de morte por um torcedor pelas redes. Torcedor do Boca Juniores foi preso por cometer a mesma coisa em jogo pela Libertadores em Itaquera.

Foto: Rubens Chiri – AG.SP

Isso só prova que a torcida jamais será educada dentro dos estádios ou em suas imediações, no futebol de modo geral. Os torcedores já foram separados e agora nem no mesmo jogo eles podem ficar. No Estado de São Paulo, clássicos tem apenas um lado, o do mandante. Rio e Minas já evoluíram nesse aspecto, permitindo as duas torcidas nas grandes partidas. Em São Paulo, os envolvidos ainda se mostram incapazes de organizar isso. Nada é discutido nesse sentido, com apoios dos clubes e das federações, da Polícia e da Promotoria Pública. Os torcedores ajudaram a criar essa hostilidade, com a sequência de brigas e mortes.

Há alguns caminhos para tirar esse torcedor preconceituoso de cena. Com punição. Já que não se consegue identificar o cara, o jeito é fechar os portões, de modo a punir a todos por irresponsabilidade de alguns. Um pecado, principalmente porque o futebol ficou fechado durante boa parte da pandemia e todos sentiram falta dele. Mas talvez seja necessário tomar remédios amargos para sarar da doença, da não aceitação do outro em quaisquer circunstâncias. Daí a punição. Nesta segunda-feira, o STJD deveria pegar os casos dessa natureza no futebol do fim de semana e aplicar as penas, sem dó. Portões fechados. Multa. Perda de pontos. Exclusão do torneio. Jogar a 300 quilômetros de sua sede. E assim por diante.

VALENTÕES

Outro ponto negativo do clássico, mas muito comum no futebol, é o empurra-empurra cada vez mais frequente em campo. Ninguém tem coragem de brigar, mas todos ficam numa “fumaça” para jogar para a torcida e ganhar pontos com ela. São os valentões para inglês ver. Na verdade são uns bobões. Eles quase estragaram o clássico em Itaquera neste domingo. Isso também tem de acabar. Para mim, é papel do treinador educar seu time. Desculpa que é bom, ninguém pede. Porque esses caras entendem que se desculpar é se humilhar diante de sua torcida, mostrar fragilidade. Falta ou não falta inteligência?

Se fosse treinador de futebol, o que nunca serei porque sou jornalista, e quero acabar meus dias assim, faria com que meus jogadores pedissem desculpas sempre que cometessem uma falta. É bonito pedir desculpas. Ser honesto. Ser leal. Mas isso parece meio fora de moda nos dias atuais. Também se fosse treinador, meus atletas não falariam com os árbitros, não reclamariam. Mas essa é difícil, porque até os técnicos fazem isso. Veja o exemplo (negativo) de Abel Ferreira…

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