Comentários de Osorio entregam uma diretoria fraca do São Paulo

Robson Morelli

26 de setembro de 2015 | 14h31

Não me lembro de outro treinador que tenha dito “não confiar’ na diretoria do clube para o qual trabalha ainda na condição de técnico empregado. Desabafar depois da demissão é comum, diria até frequente. Luxemburgo, quando deixou o Flamengo, disse que a diretoria não sabia nada de futebol. Disse porque já estava fora. Osorio, não. Perguntado se confiava na diretoria do São Paulo, comandada pelo presidente Carlos Miguel Aidar, o treinador colombiano foi taxativo: ‘pelo venda de jogadores que fizeram, não’.

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Osorio entrega a fragilidade de Aidar, em pé de guerra com o presidente do Conselho Deliberativo do clube, Leco, e com o eterno desafeto Juvenal Juvêncio, ex-presidente e homem responsável por sua eleição, além de ter de apagar um incêndio por dia no Morumbi. O último deles, antes de Osorio espalhar querosene nas alamedas do clube, foi a demissão de super-diretor inventado para corrigir a rota do São Paulo. Não deu certo.

Fosse em outros tempos, Osorio seria demitido no mesmo dia. Não foi e comandará o São Paulo no clássico com o Palmeiras neste domingo. No meio da semana, o time decide sua classificação para a semifinal da Copa do Brasil com o Vasco – no primeiro jogo, ganhou de 3 a 0. A situação de Osorio será definida em breve. Ele está com uma oferta da seleção do México nas mãos e quer ir embora. Não confia mais no São Paulo, não entendeu a pressão do futebol brasileiro e aprendeu que dirigente, não todos, muda de ideia e de opinião a cada 90 minutos. Osorio, ao que parece, tinha outra ideia do País pentacampeão do mundo. E ninguém disse para ele que esse País não existe mais.

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