Comentários machistas derrubam presidente do Comitê Olímpico de Tóquio: ‘eu me sinto patético’, disse Mori

Comentários machistas derrubam presidente do Comitê Olímpico de Tóquio: ‘eu me sinto patético’, disse Mori

Yoshiro Mori, de 83 anos, entrega o posto após sofrer pressão de todos os lados dos Organizadores dos Jogos

Robson Morelli

12 de fevereiro de 2021 | 10h16

A pressão da altura de um tsunami derrubou o presidente do Comitê Olímpico de Tóquio às vésperas do início dos Jogos, marcados para começar em 23 de julho. Yoshiro Mori, de 83 anos, sucumbiu depois de suas próprias declarações machistas de que mulheres falam demais nas reuniões e ficam o tempo todo brigando por espaço. Mori-San também disse que dentro do Comitê as mulheres sabem se comportar.

Foto: AFP

Suas declarações preconceituosas não resistiram aos pedidos pela sua renúncia, mesmo ele sendo a figura mais importante dos Jogos de Tóquio. A pressão veio de dentro do próprio Comitê e do Japão, passando pelo COI e pelos patrocinadores até chegar aos voluntários da competição. O coro era para que Mori-San deixasse o cargo. Dias antes, ele pediu desculpas aconselhado por assessores. De nada adiantou. Sua permanência no posto passou a ser um insulto aos que pensam diferentemente dele, aos que lutam por um mundo igual em relação a gênero, raça ou religião, como dizia a música.

Mori-San passou a representar o oposto aos novos ventos olímpicos e do mundo. Sua renúncia já era esperada. Se ela não acontecesse, ele seria deposto, uma vergonha maior na cultura japonesa. Uma junta de notáveis vai se reunir nos próximos dias para eleger um novo presidente do Comitê. Há a possibilidade de o cargo ser ocupado pela ex-atleta e ministra especial Seiko Hashimoto.

Mori-San, em seus 83 anos, ficará em casa acompanhando a tudo sobre os Jogos Olímpicos que ajudou a construir no Japão, mas não terá mais influência nenhuma nas decisões. Suas declarações sexistas marcaram sua derrocada. Mori-San foi primeiro ministro do Japão. Em sua renúncia, disse que não tinha a intenção de diminuir as mulheres. “Eu me sinto patético”, declarou.

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