Comissão de Ética da CBF nega volta de Caboclo e pede mais 60 dias para analisar caso de assédio

Comissão de Ética da CBF nega volta de Caboclo e pede mais 60 dias para analisar caso de assédio

Presidente foi afastado do comando da entidade depois da acusação feita por uma colaboradora de mais de 12 anos

Robson Morelli

03 de julho de 2021 | 23h04

A Comissão de Ética da CBF negou pedido do presidente afastado Rogério Caboclo para retomar seu posto no comando da entidade. Ele deixou o cargo dia 6 de junho depois de acusação de assédio sexual e moral feita por uma funcionária. Caboclo queria retomar sua cadeira a partir de segunda-feira, mas isso não será possível. A comissão independente que investiga o caso dentro da CBF pediu mais 60 dias para continuar com seu trabalho.

Foto: CBF

Nesta semana, dirigentes executivos da CBF também aprovaram o afastamento do presidente por mais 60 dias. Caboclo alegou que o estatuto da entidade foi rasgado, de modo que seus subalternos não poderiam fazer isso com ele. O fato é que a briga agora está para saber quem comanda a CBF. O presidente afastado diz que o vice e atual comandante Coronel Antonio Nunes é pau mandado de Marco Polo del Nero, ex-presidente banido do futebol que está querendo retomar as rédeas do futebol. Diz que Del Nero arquitetou toda essa história, inclusive que foi ideia dele subornar a funcionária que delatou Caboclo com R$ 12 milhões. Ela ainda não se manifestou. Caboclo tem se manifestado por meio de notas. O blog pediu entrevista com ele, mas não foi atendido. Procurado, Del Nero também não respondeu.

Há uma briga política na CBF pelo comando. Os clubes perceberam uma entidade fraca e forçam a barra para a criação de uma liga. Mesmo assim, a Comissão de Ética não quer perder o foco do motivo do afastamento de Caboclo: a acusação de assédio moral e sexual, que é crime. O presidente se diz inocente e promete provar isso. Nos bastidores, as federações e os clubes não acreditam no seu retorno ao comando da entidade.

Não está descartada a possibilidade de uma eleição antes do fim do prazo de 90 dias imposto pelos executivos da CBF para o afastamento de Caboclo. Se isso acontecer, um dos vices será eleito. Há quem diga que essa trama traria de volta Del Nero para dentro da entidade, mesmo ele estando banido por corrupção. Os clubes mostram-se fortes. Eles foram acuados por Caboclo recentemente numa reunião vazada. Por isso, estariam contra sua volta ao poder.

Tite e a seleção brasileira se mostram indiferentes a tudo isso, mas sabem que as decisões podem afetá-los faltando pouco mais de um ano para a Copa do Mundo do Catar. Se tivessem de tomar um lado, ficou claro que a volta de Caboclo não agradaria a turma de Neymar. Eles se manifestaram contrários à Copa América no Brasil, armada por Caboclo e pelo presidente Jair Bolsonaro.

Caboclo voltou a acusar Del Nero de ter controle sobre os membros da Comissão de Ética da CBF. Em nota, informa que recebeu com “inconformismo e indignação a decisão do Conselho de Ética que negou o pedido de sua defesa para reconduzi-lo ao cargo e ainda prorrogou por mais 60 dias seu afastamento. Este é mais um episódio do inédito golpe orquestrado e comandado pelo ex-presidente Marco Polo Del Nero, banido do futebol, por meio de aliados na confederação.”

Disse mais: “Membros da Comissão de Ética têm fortes ligações com Del Nero. Eles recebem salários bem acima da média de mercado e são demissíveis pela diretoria da CBF, que também é formada, na maioria, por fiéis aliados nomeados pelo dirigente banido do futebol e investigado pelo Ministério Público Federal.” Ele alega que não foi ouvido sobre as acusações que lhe são imputadas de assédio moral e sexual.

 

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