Como fica o torcedor depois de ler a reportagem do Estadão de que a CBF ‘vendeu’ a seleção?

Matéria de Jamil Chade informa que a entidade tem acordos com terceiros e quartos sobre o time nacional unicamente para lucrar

Robson Morelli

18 de maio de 2015 | 10h31

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Se você ainda não leu a reportagem de Jamil Chade, no Estadão deste fim de semana, sobre os mandos e desmandos da CBF em relação à seleção brasileira, precisa ler para tomar suas próprias conclusões. O título da matéria é esse: ‘Documentos mostram como a CBF ‘vendeu’ a seleção brasileira’. Depois ler e entender que talvez o maior patrimônio do brasileiro, o time nacional, não seja mais dele, a pergunta que se faz é ‘como continuar torcendo para o Brasil, de Neymar e de tantos outros craques que já vestiram a camisa amarela?’

Claro, porque se tudo é arranjado, se os jogadores são chamados de acordo com a reivindicação de terceiros, se todos que entram  no comando estão no jogo, como então o torcedor vai continuar acreditando na seleção, nas vitórias, no melhor time, nas convocações e até mesmo nos resultados? Já tivemos no Brasil a “Máfia do Apito”, em que árbitros ‘trabalhavam’ para fazer resultados no Campeonato Brasileiro para casas de apostas milionárias, e agora temos a “Máfia da CBF’, como informou o correspondente em Genebra do Estadão, Jamil Chade.

O Brasil está prestes a disputar a Copa América do Chile. Dunga já tem a lista dos 23 jogadores convocados. Mas como acreditar na Amarelinha se a seleção não nos pertence mais, se tudo virou jogo de interesses e de cifras altíssimas? O pior é que mesmo profissionais honestos podem ser envolvidos em esquemas imorais para agradar esse ou aquele. Dunga, Felipão, Mano Menezes, os últimos treinadores do Brasil, são profissionais acima de qualquer suspeita, que não fariam conchavos com dirigentes ou patrocinadores ou quem quer que seja. Mas como não desconfiar de suas listas de convocados se a CBF tem acordos feitos para vender os amistosos e jogos do Brasil, com esses e aqueles jogadores? Seria importante que os ex-técnicos da seleção no período em a entidade era comandada por Ricardo Teixeira se manifestassem no sentido de repudiar qualquer tipo de decisão em cima de contratos da CBF, e que suas listas sempre foram pensadas no melhor para o time brasileiro.

A CBF poderia muito bem pedir esse ou aquele jogador para agradar esse ou aquele cliente. Não que os jogadores tenham culpa de alguma coisa, mas também podem ser envolvidos em esquemas sem saber de nada sequer. É disso que estamos falando. Esse folclore de ‘jogadores’ apadrinhados é antigo no futebol, mas sempre com a pecha de que alguém de maior importância na hierarquia pediu ao treinador para chamar. O caso mais emblemático é o de Dadá Maravilha, na Copa de 1970, que teria sido um pedido ao técnico Zagallo do presidente Médici. João Saldanha não teria aceito o pedido e foi demitido do cargo. Há outros casos mais recentes de jogadores que são convocados, valorizam seus contratos e depois desaparecem no time nacional. A reportagem de Jamil traz luz a esses casos sobre a informação de que a CBF ‘vendeu’ a seleção. O pobre torcedor não tem mais para quem torcer.

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