Conheça os bastidores da saída de Ganso do São Paulo

Meia vai jogar no Sevilla, da Espanha. Clube brasileiro recupera investimento

Robson Morelli

16 de julho de 2016 | 13h43

Paulo Henrique Ganso não é mais jogador do São Paulo, depois de três anos de serviços prestados. O jogador e seu estafe levaram à mesa do presidente Leco uma oferta oficial de compra do Sevilla. A partir dali, Ganso já não tinha mais cabeça para outra coisa a não ser atuar pelo time espanhol. Com o presidente tricolor, o meia, camisa 10 e ponto de referência do time, usou argumentos que não deixaram brechas para qualquer contra-argumentação. Queria jogar na Espanha para reeditar a parceria com Neymar, seu compadre, além de tudo. Ambos voltariam a conviver juntos, estendendo a convivência às suas famílias, embora fosse em times e cidades diferentes. Ganso disse mais a Leco. Contou que já estava com 27 anos e era hora de tentar a carreira na Europa, ganhar mais dinheiro e prestígio, e que não teria outra oportunidade dali para frente, quando a carreira de um jogador começava a ‘descer’.

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Leco ouviu a tudo sem ter forças para impedi-lo do sonho. Mas Ganso foi além. Disse que se o São Paulo não o negociasse agora, nessa janela, em seis meses não teria nada nas mãos, porque Ganso poderia fazer um novo contrato seis meses antes de vencer seu acordo com o time do Morumbi, que ia até setembro de 2017. Sua renovação, na mesa do presidente, não seria assinada. A DIS, detentora de 68% dos seus direitos federativos, sempre viu a transação com bons olhos. Era hora de ganhar dinheiro com o meia, um dos mais reverenciados do País.

O presidente do São Paulo sabia que estava numa sinuca de bico. Ele e todos no clube sabiam que Ganso não funcionava quando não estava concentrado, com a cabeça boa e sem bico. E o meia prometeu ficar de bico caso não fosse negociado. O que prova isso é o fato de o jogador não ter seguido com a delegação para a partida derradeira na Colômbia, contra o Nacional de Medellín, pela Libertadores. Machucado, Ganso nem cogitou a possibilidade de se juntar ao elenco num momento tão importante. Estava fora antes mesmo de o negócio ser concretizado de boca.

DINHEIRO

Restava ao São Paulo recuperar ao menos o dinheiro investido, R$ 16 milhões três anos atrás. Leco e seus pares pediram mais dinheiro do que os iniciais 7 milhões de euros. Depois de idas e vindas, a diretoria tricolor conseguiu o que queria. O São Paulo vai receber 5 milhões de euros, o equivalente a R$ 18, 1 milhões. A DIS aceitou também permanecer com 20% dos direitos do jogador, o que, de acordo com a Fifa, não pode mais. Mas isso não é problema do São Paulo. Dessa forma, o clube paulista enche os cofres. “Vamos receber 5 milhões de euros”, disse Leco ao blogueiro neste sábado, enquanto tomava um café, ainda abatido pela eliminação do time na Libertadores. A arbitragem naquele jogo em Medellín contra o Nacional ainda o incomodava. “Se a gente tivesse virado 2 a 1, e com um jogador a mais, porque o árbitro poderia ter expulsado o jogador colombiano que fez o pênalti em Hudson, a história seria outra”. Leco também isenta o time, e o técnico Bauza, da derrota na partida em São Paulo. “Com a expulsão de Maicon, o correto era fechar o time e segurar o resultado. Mas havia uma atmosfera muito grande, com 61 mil torcedores no Morumbi, para que o time atacasse”.

ALAN KARDEC

O São Paulo também acredita ter feito bom negócio com a venda de Alan Kardec para a China. O clube tinha 70% dos direitos federativos do atacante, que caiu em desgraça após contusão que o tirou de cena por longo tempo, mas sobretudo pelo fato de ter perdido lugar para Calleri. Voz recorrente no Morumbi era de que o atacante perdeu o encanto de jogar pelo time e, por isso, não rendia mais o que se esperava dele. Kardec se afundou e não tinha mais, nesse momento, condições de permanecer no clube. A China apareceu em boa hora e o São Paulo não pensou duas vezes em vendê-lo. Nas mãos, o clube terá outros 5 milhões de euros (R$ 18,1 milhões), e ainda continua com 30% dos direitos federativos do jogador. O São Paulo acredita que Kardec poderá se destacar na China e mudar em breve de time, o que traria, na nova negociação, mais dinheiro aos cofres do Morumbi.

Com as transações, o São Paulo vai colocar as mãos em R$ 36,3 milhões, mesmo que não receba tudo à vista. Com esse dinheiro, o clube vai às compras.

 

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