Contratos dos técnicos são claros e discutidos entre o profissional a ser contratado e os clubes, com multas, inclusive

Poucos treinadores fazem atualmente seus acordos no fio do bigode, e quem opta por isso acaba sempre se dando mal

Robson Morelli

11 de novembro de 2020 | 11h31

Há duas formas de ver a troca de técnicos no futebol brasileiro, dada as últimas ocorridas com as saídas de Rogério Ceni, do Fortaleza, e de Eduardo Coudet, do Inter. Uma delas é a livre negociação do mercado. Todo profissional tem o direito de melhorar sua condição financeira e de trabalho, independentemente do juízo de valor que as pessoas dão às decisões. Todos disseram que Coudet não deveria trocar o líder do Campeonato Brasileiro, o Internacional, pelo intermediário Celta de Vigo, da Espanha. Mas essa decisão cabe unicamente ao profissional e seus familiares. A ninguém mais.

O mesmo se pode dizer da escolha de Rogério Ceni. Ele deixou o Fortaleza para trabalhar num lugar melhor, o Flamengo. Simples assim. Os contratos desses profissionais são claros, está tudo lá no papel e assinado. Pelo menos para aqueles que não fazem acordo no fio do bigode. A prática é cada vez menos comum, dada a bagunça que são as gestões dos clubes. Não de todos, mas da maioria. Há, inclusive, um artigo somente para tratar da multa rescisória, valores e condições, decisão unilateral e tal em caso de rompimento. Então, está tudo ali no papel, registrado e com deveres e obrigações, como em qualquer contrato de trabalho.

O segundo ponto é mais pessoal. E trata do abandono de um trabalho pensado e estruturado para uma temporada. Os clubes não conseguem olhar muito mais para frente do que isso. Olhar doze meses adiante já é tarefa árdua para os gestores do futebol. Todas as contratações e decisões do futebol são, geralmente, tomadas em função daquele profissional, com pedidos e demissões de atletas, trocas e compras, estruturas montadas nos CTs. Então, quando esse técnico decide sair por conta própria, esse trabalho se perde, recua, alguns voltam para a estaca zero.

Ocorre que não é somente o treinador que toma essa decisão. Na maioria das vezes, não é ele. O técnico é sempre demitido. 18 treinadores foram dispensados no Brasileirão em 20 rodadas. Luxemburgo (foto) foi demitido do Palmeiras recentemente. Não entro no mérito de o trabalho ser bom ou ruim. Portanto, quem joga o planejamento do ano na lata do lixo é o próprio contratante, a empresa, o clube. E no futebol, nenhuma troca de treinador é explicada satisfatoriamente, a não ser pelos resultados da hora.

Tudo o que sabemos sobre:

futebolFlamengoFortaleza FCRogério Ceni

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: