Corinthians cai na armadilha da fase inicial da Libertadores e vai carregar o fardo até o fim do ano

Corinthians cai na armadilha da fase inicial da Libertadores e vai carregar o fardo até o fim do ano

Vitória por 2 a 1 sobre o Guaraní, do Paraguai, não é suficiente para garantir o time na competição sul-americana

Robson Morelli

13 de fevereiro de 2020 | 07h30

Digo de cara que o Corinthians não jogou mal, que fez dois gols como precisava nos minutos iniciais, primeiro tempo ainda, para ganhar confiança e moral. Digo também que não houve culpado pela eliminação. Houve errinhos lamentáveis ao longo da disputa em Itaquera, da arbitragem à expulsão de um jogador em partida decisiva por imprudência. Penso que o que precisava ser feito, foi feito, numa equipe em reformulação, com novos atletas e um treinador vindo de outro Estado. Da mesma forma, a torcida acreditou até o fim, e os gols iniciais deram certa tranquilidade. Nada disso foi suficiente, no entanto.

Como disse o presidente Andrés Sanchez, tem de ir para casa chorar e seguir a vida em outras competições. Andrés disse o que todos sabem no futebol brasileiro: é preciso ganhar sempre. Ele tem razão, sobretudo quando a partida é em casa e diante de um rival teoricamente mais fraco ou ao menos de menor tradição. Repito, o Corinthians não jogou mal.

Mas teve problemas. Vi Pedrinho imprudente no lance da expulsão porque já tinha um cartão amarelo. Vi a arbitragem injusta com o Corinthians em alguns momentos. Mas de arbitragem ninguém deve esperar nada. Vi alguns jogadores que se cansaram no segundo tempo e aí era preciso trocar mais cedo. Vi a bola do gol do Guaraní nas mãos de Cássio. Antes disso, vi uma barreira mal posicionada, com buracos e um goleiro atrás dela.

Há coisas a se fazer nesse Corinthians em construção. Claro que há. Só não houve tempo ainda. E aí entra a minha certeza de que a fase classificatória da Libertadores é uma grande armadilha para os times brasileiros que não se preparam adequadamente para as decisões. Time que ganha o direito de disputar essa etapa da competição deve começar a trabalhar em dezembro, dividir suas férias, repensar o calendário. Não dá para jogar bem começando a trabalhar dia 4 ou 5 de janeiro e ter uma “final” um mês depois. É um ganha e perde sem controle.

O Corinthians amarga sua quarta eliminação em casa. Já não é mais gigante em seu estádio, “imbatível” como se dizia ao cair na arena. É fato também que terá de carregar este fracasso até o fim da temporada, terá de responder por ele a cada eliminação nova em outros torneios. Terá, por pressão externa, de ganhar “tudo” daqui para frente. O boleto de cobrança vai chegar. Não há dúvidas.

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