Corinthians e Santos não deveriam jogar quinta à noite e domingo de manhã no Paulista

Corinthians e Santos não deveriam jogar quinta à noite e domingo de manhã no Paulista

Ocorre que o mandante, o Corinthians, e a dono das transmissões, a Globo, se acertaram para isso. O time preferiu ganhar mais tempo para estrear na Libertadores

Robson Morelli

31 de janeiro de 2020 | 11h19

Interesses da TV paga e dos próprios clubes podem explicar a falta de critério na tabela do Campeonato Paulista para que Corinthians e Santos jogassem em datas tão próximas. As duas equipes atuaram nesta quinta-feira à noite e fazem o clássico da rodada no domingo de manhã, às 11h, em Itaquera. O jogo da TV aberta do domingo é entre Bragantino e Palmeiras, em Bragança Paulista. O clássico na Arena Corinthians vai para o Première. Pago. Da mesma forma, se o jogo fosse domingo, ele seria às 19h, um horário ruim para clássicos e também com TV fechada. O torcedor prefere os clássicos à tarde.

A Federação Paulista de Futebol construiu a tabela lá atrás, seguindo seus critérios. O que ocorre é que os times que estão na Libertadores ganharam o privilégio de solicitar alteração na tabela, conforme atestado pelo próprio presidente da FPF, Reinaldo Bastos, em entrevista ao Estado. Nesse caso específico do clássico de domingo, Corinthians e Grupo Globo trataram do assunto. O Corinthians entende que o tempo entre o jogo de quinta e domingo ficou curto, de fato, mas também sabe, e valoriza, o maior espaço de preparação e viagem para sua estreia na Libertadores, quarta-feira, no Paraguai, às 21h30. Esse jogo vai passar na Globo.

Há duas tendências no futebol brasileiro neste momento. Uma delas diz respeito à FPF aceitar negociar datas de jogos com os clubes de São Paulo envolvidos em competições outras que não o Paulistão, a fim de não desprestigiar o Estadual e ajudar o referido time a se organizar melhor na temporada. A FPF entende que a Libertadores é mais importante do o Paulistão. A outra tendência é a dono dos direitos de transmissão das partidas negociar melhor sua forma de entrega do produto, o futebol, de modo a atender o público, mas também fazer dinheiro. Quem quer ver os jogos, terá de pagar por ele.

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