Corinthians tem de engolir orgulho para ter patrocinador master

Clube retoma negociações com a Caixa Econômica Federal e deve abrir mão de R$ 7 milhões para manter parceria de R$ 30 milhões

Robson Morelli

09 de março de 2016 | 09h40

O Corinthians teve de engolir seu orgulho para retomar as negociações com a Caixa Econômica Federal sobre a posição de patrocínio master da camisa. Dia 24, o contrato com as partes, desde novembro de 2012, chegou ao fim. O motivo? O Corinthians queria R$ 7 milhões a mais dos do os R$ 30 milhões que recebia. Ou era R$ 37 milhões ou não era nada. Em tempos de crise e de cinto apertado, a Caixa não aceitou. E tirou seu nome da camisa do clube. Sem opções, a diretoria retomou as negociações. Certamente porque entendeu, apesar da demora, de que é melhor ter R$ 30 milhões ou até menos que isso do que não ter nada neste momento.

Mais uma vez o clube também deixou escapar que o Itaquerão está bem próximo de ser batizado. Conversa antiga. Dirigentes corintianos não revelam o nome da empresa com a qual negociam o nome do estádio, mas a pedida é de R$ 20 milhões por mês durante contrato de 20 anos, o que daria os R$ 400 milhões pretendidos lá atrás, antes da Copa do Mundo. Esse assunto não anda há dois anos. O Corinthians perde dinheiro com a demora. Já poderia ter colocado a mão numa grana boa se tivesse baixado o pedido. O Palmeiras fechou seu contrato com a Allianz por R$ 300 milhões. O Corinthians quer mais.

O clube corre contra o tempo. Precisa do dinheiro para gerir as contas e o estádio com mais tranquilidade. Mesmo com casa cheia e boas rendas (na casa dos R$ 2,5 milhões por partida) e cotas gordas da televisão (perto dos R$ 100 milhões anuais), o clube não consegue respirar. É consenso que o Itaquerão deveria dar mais lucro, se não na bilheteria por não cabe mais gente na maioria das partidas, ao menos nos outros negócios da arena, como camarotes, lojas, restaurantes. E até abrir suas portas para shows. A dívida mensal de R$ 5 milhões/mês aumentaria neste ano – refere-se aos R$ 400 milhões pegos com o BNDES. O estádio custou R$ 1,1 bilhão. A diretoria também encontrou uma brecha legal na lei para prorrogar o prazo do pagamento. Há um caixa no clube destinado somente para esta finalidade. Mesmo assim, o futebol consome a maior parte das receitas. O clube também colocou no bolso dinheiro que não esperava com as vendas de seus jogadores do ano passado.

Precisa ter inteligência para gerir com competência. Suas receitas, cá entre nós, não são baixas.

 

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