Coronavírus mexe no calendário esportivo mundial e pode ameaçar a Olimpíada de Tóquio

Coronavírus mexe no calendário esportivo mundial e pode ameaçar a Olimpíada de Tóquio

Provas e eventos estão sendo postergados, alguns desmarcados, mas não é hora de pânico, como insinua o COI

Robson Morelli

26 de fevereiro de 2020 | 11h01

Os japoneses, por enquanto, estão irredutíveis em relação à manutenção dos Jogos Olímpicos em Tóquio entre os dias 24 de julho e 9 de agosto. O país se prepara há quatro anos, no mínimo, para receber milhares de turistas e dezenas de delegações contendo centenas de atletas, de modo a investir pesado nos preparativos esportivos e estruturais na cidade. Não há no entendimento dos organizadores do evento qualquer possibilidade de não realizar os Jogos.

Do prisma financeiro, a perda seria gigantesca. O Japão já sofre com o coronavírus nesse sentido. Voos e eventos estão sendo cancelados no país. O Estado divulgou uma lista de provas e torneios que foram adiados por causa do vírus que sai da China para contaminar países próximos e outros mais distantes. O Brasil registou nesse carnaval seu primeiro caso, em São Paulo. Identificou uma pessoa contaminada e está tratando e tomando as decisões necessárias.

Certamente, Tóquio está atento a tudo isso. O COI analisa os fatos e prepara sua decisão em relação aos Jogos 2020. Não há nesse momento como não pensar no coronavírus. A seu favor, e dos organizadores, o Comitê Olímpico Internacional tem o tempo. Faltam quatro meses para as delegações começarem a desembarcar no Japão. O surto do coronavírus está sendo acompanhado de perto. A proximidade da China, epicentro da manifestação, é um agravante. A delegação chinesa vai com mais de 400 atletas para os Jogos, essa é a expectativa. Existe desconfiança sobre a população do país nesse momento, e isso não pode acontecer, uma vez que a China faz todos os esforços possíveis para conter a epidemia. Um hospital foi construído em dez dias somente para isso.

O fato é que mais de cem eventos esportivos foram cancelados em todo o mundo. A Europa começa a sentir os efeitos dessa preocupação, com jogos sendo cancelados na Itália, por exemplo. Mas é preciso saber diferenciar o que é precaução do que é exagero. E desse ponto de vista a informação clara e direta precisa ser bem trabalhada. No Brasil, nada muda com o único caso registrado até agora. Nada. É preciso entender o tamanho da “crise” e enxergar a situação de modo realista, dentro das condições de saúde e de instalações de cada país. Há recursos e há tempo para os Jogos Olímpicos. O COI deixa claro que os atletas devem continuar treinando e se preparando para a disputa.

Vejo o cancelamento e o adiamento de eventos esportivos mais como precaução nesse momento. É legítimo. A maratona de Tóquio foi revisada, de modo a só participar corredores profissionais e cadeirantes, limitando seu tamanho. O trabalho com voluntários em Tóquio também foi empurrado para mais para frente. A preocupação existe, claro, ela pode ameaçar os Jogos, mas ainda há muito tempo e ações para serem tomadas.

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