Coutinho, para quem jogar ao lado de Pelé era algo simples e natural

Coutinho, para quem jogar ao lado de Pelé era algo simples e natural

Atacante morreu nesta segunda-feira, 11 de março, aos 75 anos. Seu velório foi feito na Vila Belmiro

Robson Morelli

12 de março de 2019 | 10h56

Em 1994, comecei a trabalhar na Revista Placar, um sonho antigo antes mesmo de começar a fazer jornalismo. Deixei Quatro Rodas, também da Editora Abril, para continuar minha carreira de jovem repórter na Placar. Juca Kfouri era o diretor de redação. Sérgio Martins era o redator-chefe. PVC era repórter. Mauro Cezar Pereira era editor. Naquele ano, o Brasil seria tetra nos Estados Unidos. Minha primeira participação foi ajudar na edição do Guia da Copa dos EUA. Trabalho completo. Referência. Mais para frente, decidimos fazer uma edição temática dos melhores times de todos os tempos, com votação de quem entendia do riscado. Fiquei com dois time: Santos e Corinthians. Caramba! Dois timaços de todos os tempos. Falaria com ex-atletas que meu pai e meu avô viram jogar. Coutinho foi um deles. Atacante do Santos, camisa 9, bom de bola. Foi a primeira vez que entrevistei Coutinho, e me deparei com toda a sua história.

Ele falava do futebol com carinho. Não era um cara deslumbrado. Achava ter jogado ao lado de Pelé algo natural. E não era arrogância também. Longe disso. É que os caras daquela época eram mais simples. Coutinho era de Piracicaba, sujeito tranquilo que começou a viver o futebol aos 14 anos. Um garoto. Naquela época, jogar futebol era o que eles tinham para se divertir. Quase não era uma profissão como entendemos hoje. Era talento colocado em prática. Coutinho me atendeu na cidade de Santos. Contava sobre sua carreira, sobre o Santos da década de 60, sobre Pelé.

Tenho em casa um foto com ele feito pelo fotógrafo Silvio Porto, se não me engano. Estamos parados no calçadão da cidade, um de frente para o outro, conversando. Esses caras do Santos são sempre chamados para entrevistas. São boas pessoas e fizeram história. Eu então estava com o grande Coutinho. Para um garoto recém-saído da faculdade e ingressado no jornalismo, aquilo era muito importante. Ainda é, guardo da memória cada entrevista com toda aquela turma. Talvez o ataque formado por Dorval, Mengálvio, COUTINHO, Pelé e Pepe tenha sido um dos mais falados e comentados do mundo.

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