Dar alta para Maradona é liberá-lo mais uma vez para ele encontrar a morte

Dar alta para Maradona é liberá-lo mais uma vez para ele encontrar a morte

O álcool tem sido o companheiro do gênio argentino aos seus 60 anos, nada se fala de cocaína, mas se desconfia pelo seu passado com as drogas

Robson Morelli

10 de novembro de 2020 | 16h48

Uma cirurgia às pressas para tirar um hematoma da cabeça. Falando assim parece simples. Não é. Aos 60 anos, Diego Armando Maradona, gênio da bola, comparado a Pelé, deve ter alta do hospital em Buenos Aires nesta semana. Está bem, recuperado da cirurgia, mas ainda com a alma condenada. Crises de abstinência foram informadas durante o período em que esteve internado, desde terça-feira passada, portanto, uma semana a se completar nesta 10 de novembro. Mas abstinência de quê? Foram ventilados remédios fortes que o craque estaria tomando, doses e doses de álcool, mas ninguém ousou falar de cocaína, a droga que o derrubou algumas vezes na carreira e na vida.

Reuters/Henry Romero

Aos 60 anos, em atividade como treinador de futebol em seu país, amado pelo povo e com filhas que seguram a barra do pai desde sempre, Maradona continua sendo uma bomba quando está livre, capaz de fazer mal a si próprio e aos que mais o amam. Liberar Maradona do hospital pode se confirmar mais adiante um grande erro. Ele precisa de ajuda. Sempre precisou, mas agora há uma oportunidade pela internação necessária. Daí a importância de se repensar a alta do argentino, sua volta para casa e para a vida, onde costuma se perder.

Maradona vai querer trabalhar e fazer as coisas que faz sem consultar ninguém. Nem mesmo seus médicos são capazes de controlá-lo. Pelé não é diferente. Quando o assunto é tratamento médico, rotinas e coisas parecidas que podem ajudar em sua saúde, o Rei do Futebol também derrapa. Não segue conselhos na maioria das vezes e faz o que quer. Maradona, 20 anos mais novo, é mais abusado. Incontrolável, como dizem pessoas mais próximas.

Maradona jogou até 2001. Terminou a carreira no Boca Juniors, seu clube do coração. Mas já não era mais o mesmo. Na Copa de 1994. liderou a Argentina, quando foi pego no doping mais uma vez. Nem de longe era seu último ato. Maradona não tem parada. Daí a necessidade de mantê-lo internado por mais tempo, mesmo a contragosto. Ele precisa se cuidar para não morrer. Deixá-lo livre é liberá-lo para se encontrar com a morte, como os brasileiros fizeram com Garrincha e tantos outros que ainda poderiam estar com a gente, como também o Dr. Sócrates, ídolo do Corinthians e da seleção brasileira.

Maradona precisa de ajuda e a Argentina tem a obrigação de estender a mão para um de seus principais personagens. Um filho como qualquer outro, mas um filho doente, que pede socorro a cada internação.

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