E se Pato estiver pensando na sua liberdade para jogar com Kaká nos EUA?

Coragem do jogador se processar Corinthians e São Paulo por atraso de salário pode não ser somente por dinheiro

Robson Morelli

17 de junho de 2015 | 10h20

Somente os jogadores que têm mercado entram na Justiça contra atrasos de salários, como fez Alexandre Pato contra Corinthians e São Paulo. A situação ainda não está clara. Há quem diga que não é só o dinheiro que motiva a ação. O próprio contrato de Pato é estranho. Ele é do Corinthians, que pagou R$ 40 milhões ao Milan em 2012, e o emprestou ao São Paulo, que paga parte do seu salário, estimado em R$ 800 mil mensais. Havia uma dívida entre Corinthians e o jogador de dez meses, e com o São Paulo de três. A lei permite o rompimento do contrato após três meses de salários atrasados.

PatoJosePatricioEstadao25022015_570

Com o mercado lá fora comprando, Pato pode ter planos de voltar para a Europa ou para os Estados Unidos, jogar com seu amigo Kaká. Ele sempre disse estar feliz no São Paulo, mas isso não significa nada. Aidar admitiu sondagem de clubes italianos. Assim que a ação foi movida, as dívidas foram pagas. Mesmo assim, o processo corre. Se o dinheiro já está na conta do jogador, entendo que a Justiça não perderá muito tempo com isso. Má fé. Malandragem dos clubes. Pode ser tudo isso. Mas se a pendenga foi paga, não há mais o que contestar, embora os representantes de Pato querem contestar. Isso é muito entranho. Para mim, Pato quer liberdade.

A postura de Pato pode também abrir precedente para que outros jogadores tenham a mesma coragem. Há muitos clubes com salários atrasados nesse momento. Os cartolas continuam aceitando salários altos, mesmo sabendo não ter condições de bancá-los depois de alguns meses. Sonham com parcerias que nunca chegam, com patrocinadores master que sumiram do mercado, ainda mais agora que o futebol da CBF e da Fifa está sendo investigado por corrupção. É ruim dar o braço para essa gente, hein!

Se todo jogador bater na porta da Justiça por falta de pagamento, o Brasileirão para. A Série B para. A Série C para. A Copa do Brasil não terá sequência. Talvez essa seja a deixa para mudanças profundas, rompimentos. Por enquanto é apenas utopia. Pato, mesmo sem querer, pode puxar essa fila. Também não está descartada a possibilidade de o jogador ter seu contrato nas mãos e depois renegociá-lo com o próprio São Paulo, onde joga. Dessa forma, estenderia sua permanência no Morumbi e poderia ganhar luvas do próprio Aidar. Ocorre que para o São Paulo esse procedimento só aumentaria seus gastos, que hoje se limitam a metade do salário do atacante. Comprar por menos e tentar vender mais para frente por mais não me parece uma situação de momento na carreira de Pato. Embora o futebol sempre deixa portas abertas, aqui e na Europa.

Manobras são comuns no futebol e o São Paulo poderia muito bem querer dar um nó no Corinthians nessa transação. Não descarto. O fato é que o clima entre Pato e Corinthians não existe mais e duvido que ele volte a vestir a camisa do clube, com quem tem contrato até dezembro de 2016, e onde teria de se apresentar em janeiro, depois das férias. Duvido que isso ocorra. Aí seria hipocrisia demais. Até para o futebol.

Tudo o que sabemos sobre:

futebol; Pato; São Paulo fc; Corinthians;

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.