Caboclo diz em nota que Del Nero é o estrategista para calar a boca de funcionária que acusa dirigente de assédio

Ideia de oferecer a ela R$ 12 milhões teria partido do ex-presidente Marco Polo, banido do futebol por corrupção

Robson Morelli

01 de julho de 2021 | 14h45

Em nota, Rogério Caboclo, presidente afastado da CBF por acusação de assédio moral e sexual contra uma funcionária, responsabiliza Marco Polo del Nero de tramar contra ele para se manter no poder por meio de seus paus mandados da entidade. Del Nero é ex-presidente da CBF e da Federação Paulista de Futebol. Ele foi banido do futebol por corrupção. Caboclo acusa o padrinho político de ter dado a ideia de oferecer R$ 12 milhões para a funcionária a fim de ela desaparecer da entidade com uma indenização. Mas ainda há muitas pontas soltas no caso. Por exemplo, o que Del Nero estaria fazendo no comando da CBF, ou com o comando da CBF, para sugerir o cala-boca de R$ 12 milhões para a funcionária não delatar o chefe? Por que Del Nero ainda participa disso se ele foi banido do futebol e da CBF? O dinheiro proposto, seja de quem for, não acaba com a acusação de assédio moral e sexual. Caboclo continua a responder para o Comitê de Ética sobre a acusação.

Sua volta ao comando está sendo tratada pelos dirigentes de federações e clubes como incerta. Ele está afastado por 30 dias, podendo ter o prazo esticado por mais 60 dias. Veja a nota.

Foto: Wilton Jr/Estadão

NOTA OFICIAL

O presidente da CBF, Rogério Caboclo, apresenta mais uma prova contundente de que Marco Polo Del Nero, ex-presidente da confederação banido do futebol, foi quem trouxe a proposta de R$ 12 milhões para evitar que uma funcionária protocolasse uma acusação no Conselho de Ética da entidade e a tornasse pública.

Trata-se de uma anotação feita à mão por Del Nero apontando o valor de R$ 12,409 milhões, quantia que deveria ser paga pela CBF como uma indenização à funcionária em troca da não apresentação da acusação. Logo à frente do número 12.409 foi escrito: “corresp [correspondente] 20 anos de salário, transferindo ao valor presente a uma taxa [de correção] de 2,75 [%] anual”.

A negociação proposta por Del Nero e por seus aliados exigia inicialmente R$ 12 milhões, correspondentes ao pagamento dos vencimentos mensais até a ocasião da aposentadoria da funcionária, mediante sua imediata demissão para que essa acusação não fosse apresentada à Comissão de Ética e tornada pública.

Este documento é a prova cabal de que as acusações contra Rogério Caboclo fazem parte de um golpe orquestrado por Marco Polo Del Nero para plantar aliados no comando da CBF e, assim, voltar a dar as cartas na entidade.

Neste momento, os comandados por Del Nero que ainda pertencem aos quadros da CBF preparam mudanças ilegais no estatuto da entidade para tentar impedir Rogério Caboclo de voltar ao cargo. Em reunião marcada para sexta-feira (2/7/2021), eles ainda pretendem incluir no estatuto uma regra que permita a ampliação do prazo do afastamento do presidente da CBF para, assim, atender seus interesses particulares e momentâneos. Trata-se de um passado que não queremos de volta, marcado por múltiplos escândalos de corrupção e vários processos criminais.

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