Demitir Dorival é a decisão mais fácil e cômoda para a diretoria do São Paulo, mas será a melhor?

Demitir Dorival é a decisão mais fácil e cômoda para a diretoria do São Paulo, mas será a melhor?

Treinador sofre pressão da torcida e tem dificuldades para fazer o time jogar. Troca levará o tricolor para a estaca zero

Robson Morelli

22 de fevereiro de 2018 | 12h01

O São Paulo tem problemas. Basta assistir aos seus jogos para apontar uma série de erros no time, de qualidade, de excesso de confiança, de posicionamento e técnico. Parte destas deficiências poderia ser arrumada com mais e melhores treinos, com clareza no comando e nas orientações aos atletas, com repetição de situações em campo. O São Paulo, de Dorival Junior, não consegue repetir boas apresentações. Tem jogado mais mal do que bem.

Alguns de seus principais jogadores estão falhando também. Na derrota para o Ituano, Rodrigo Caio e Hudson, dois bons jogadores, fizeram de tudo para entregar o jogo, tamanha foi a quantidade de erros e lambanças dos dois. Hudson ainda pode ter um desconto que é a falta de ritmo de jogo. Ele tem ficado na reserva. Mas Rodrigo Caio não.

Apesar disso, a culpa recai nesse momento nas costas de Dorival Junior, que poderia ter montado um São Paulo mais forte defensivamente, sem abrir tanto quando se lança ao ataque, dando quase sempre ao rival a opção do contra-ataque. Foi assim na derrota para o Santos e para o Ituano. Parece um time de pelada. Alguns outros jogadores estão abaixo do esperado. Diego Souza não tem condições de jogar ainda. Nenê precisa ter alguém mais perto dele. Os laterais, meus Deus!!!!! E agora Dorival terá de conviver com a contusão de Jucilei. Mais um problema.

Ocorre que demitir Dorival é a decisão mais fácil para a diretoria do São Paulo. A mais cômoda também. Ela se livraria de um treinador que está sendo cobrado pela torcida e que não agrada a alguns cardeais do Morumbi. Qualquer dirigente faria isso. O difícil será sustentar Dorival no cargo, dar a ele tranquilidade e confiança, mais tempo. Dorival trabalha pressionado. Isso está estampado em sua fisionomia à beira do gramado. E quem trabalha assim, não consegue trabalhar bem. Qualquer mudança levaria o São Paulo para a estaca zero.

A torcida também acusou algumas “panelinhas” no elenco. São jogadores que torcem o nariz pelo treinador e que gostariam de um comando novo. Dorival caiu na besteira de dizer que “quem faz gols são os jogadores” e não ele. Isso, no vestiário, pegou mal. Após a derrota para o Ituano, em Itu, assumiu a responsabilidade de tudo, tentando limpar sua barra. Talvez seja tarde.

O fato é que a diretoria busca “uma oportunidade” para demitir Dorival, mas se isso for feito, quem o São Paulo colocaria em seu lugar? O nome de Luxemburgo foi gritado pela torcida no protesto no CT durante a madrugada, mas ele nunca entrou no clube porque nunca teve portas abertas. Há muita resistência ao seu trabalho. Haverá resistência de Luxemburgo ao comando do trio de notáveis do São Paulo (Raí, Lugano e Ricardo Rocha)? Quem mais poderia assumir o time? Os bons técnicos estão empregados e o São Paulo, convenhamos, não anda com poder de sedução tão grande assim para tirar técnico de outra equipe. É preciso olhar para frente, amarrar as partes, para que as decisões não sejam tomadas no calor de uma derrota, de mais uma derrota, embora é assim que acontece sempre. O São Paulo vai se classificar para as fases agudas do Paulista e está dentro da Copa do Brasil. É bom saber disso.

Tudo o que sabemos sobre:

São Paulo FCfutebolDorival jr

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: