Denunciar é o caminho para acabar com assédio, homofobia, preconceito e corrupção no futebol

Denunciar é o caminho para acabar com assédio, homofobia, preconceito e corrupção no futebol

O primeiro passo pode até ser feito pelas redes sociais, que ganha a imprensa, fere os clubes e chega aos órgãos competentes

Robson Morelli

05 de fevereiro de 2020 | 10h42

Nesta semana estourou mais um caso de assédio no futebol. Foi no Rio de Janeiro, envolvendo a repórter da TV Fla, Julie Santos. Ela acusa torcedores do Flamengo, um deles, de ter lhe passado a mão enquanto trabalhava no estádio. O que a repórter fez deve servir de exemplo para todas as mulheres, gays, estrangeiros ou qualquer pessoa que sofra algum tipo de preconceito no esporte. Denunciar. Refiro-me a esporte porque é a área na qual atuo. Parece que no futebol todos podem fazer tudo, sem regras e, pior, sem respeito. vale xingar o árbitro, ofender o rival ao lado ou do time em campo, peitar a polícia. De uns tempos para cá, ofensas racistas aumentaram. Tudo em nome de alguma coragem que não existe quando se está sozinho. Mas basta juntar um grupo sob a mesma bandeira no estádio para que todas as regras da sociedade, como um todo, sejam quebradas.

Julie denunciou o ocorrido primeiramente nas redes sociais. Muita gente viu e se solidarizou com ela. O Flamengo pediu desculpas em nome de seus torcedores. Não quero aqui nem entrar no mérito de a repórter ser funcionária do próprio clube, porque entendo que isso não faz diferença. O caso ganhou a mídia e deveria seguir para os órgãos competentes a fim de virar um processo ou indenização, para que sirva de exemplo.

Já passou do tempo de isso acabar no futebol. Penso que avançamos contra o preconceito de modo geral, e o assédio também nos esportes. Mas ainda há um caminho a ser percorrido nesse sentido. As escolas são meios em que esse tipo de comportamento deve ser trabalhado diariamente, de modo a ensinar nossas crianças para que elas cresçam com uma outra visão. Acho difícil mudar os marmanjos, os acima dos 25 ou 30 anos. Para esses, a penalidade deve ensinar. Multas, prisões, indenizações. Uma pena que seja assim, mas o esporte precisa enterrar de uma vez por todas esse tipo de comportamento.

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