Depoimento de Cicinho sobre alcoolismo toca num tabu antigo do futebol brasileiro

Depoimento de Cicinho sobre alcoolismo toca num tabu antigo do futebol brasileiro

Clubes tentam primeiramente identificar quem são os atletas que sofrem do problema e depois o ajudam para "salvar" a carreira

Robson Morelli

10 de março de 2020 | 13h31

Se você não leu ainda, leia. O depoimento de Cicinho ao Estado sobre alcoolismo toca num tabu antigo do futebol brasileiro. O ex-jogador do São Paulo e da Roma confessa que bebia desde os 13 anos e que chegou a tomar dez caixas de cerveja num único dia. O depoimento só pôde ser dado porque Cicinho hoje é um homem forte, com família, com Deus no coração, como ele mesmo disse, e com projetos de vida. Seu testemunho toca num ponto terrível dos jovens brasileiros e não somente de atletas das bases ou profissionais. Cicinho foi um dos melhores laterais que o Brasil já teve. Tudo que conseguiu foi com a bola nos pés. Mesmo assim, revelou que a bebida o fez perder a vontade de jogar.

Sua história, dura, mas verdadeira, vai servir para muitos no sentido de elucidar os males do alcoolismo para o futebol. Todos nós sabemos que o jogador precisa muito do seu corpo, do seu físico, para suportar 90 minutos de uma partida. O futebol perdeu jogadores importantes para a bebida. O mais famoso deles foi Garrincha. Sócrates morreu em 2011, aos 57 anos.

Clubes e entidades trabalham no sentido de ajudar esses garotos e profissionais. Mas existe um caminho árduo para descobrir quem são esses dependentes, quem são esses atletas que se entregam e abusam do álcool. Depois de identificado, fica tudo mais fácil. Pais e familiares são acionados. Especialistas entram em ação. Mas isso só é possível quando o atleta pede ajuda, entende que está se prejudicando, que pode perder uma grande chance profissional por causa da bebida. Lembro de ter lido no livro de Sócrates que ele morreu sem jamais admitir o problema. Tomara as declarações de Cicinho possam ajudar muita gente.

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