Depois de tudo, a única expectativa é para a lista de Dunga

A partir dos nomes que serão chamados pelo treinador nesta quinta para dois amistosos, começará nova discussão sobre a seleção, agora focada nas Eliminatórias

Robson Morelli

11 de agosto de 2015 | 13h37

A seleção brasileira começa nesta quinta-feira seu caminho para a Copa do Mundo da Rússia. Dunga fará a primeira convocação após o fracasso do time na Copa América, o segundo de grande porte contando o fundo do poço que foi a derrota para a Alemanha e Holanda no Mundial de 2014. Após perder para o Paraguai e dar adeus ao torneio no Chile, e depois de toda a confusão provocada pelo atacante Neymar, houve uma tentativa da CBF em dialogar o futebol da seleção, e brasileiro, convidando técnicos e personalidades para opinar em sua sede. De prático, não se tem notícias de qualquer mudança. De modo que a lista de Dunga está sendo aguardada com expectativa diferente em relação às outras.

BrasilParaguaiDanielTeixeiraEstadao1_570

Espera-se por mudanças não só de nomes, como de forma de atuar e postura. Não há certeza de que nada disso aconteça, no entanto. Mas o voto de confiança existe. Não meu, mas de muita gente. Dunga deverá manter seu estilo e ‘morrer’ com ele no cargo, como foi na Copa da África do Sul, penso. Seu discurso antes do fracasso na Copa América era o de que jogador brasileiro poderia ser chamado por ele em qualquer parte do mundo, mesmo aqueles que estejam atuando em ligas menos competitivas, como a chinesa e a ucraniana, dando de ombros para o interesse do jogador e sua condição. Como todos sabem, só para citar um exemplo, Vagner Love voltou da China para ‘passar’ vergonha no Corinthians, numa secura de gols, gols perdidos e agora amargando a reserva de um garoto comum.

O setor do campo onde se espera mais mudanças é na defesa. Thiago Silva e David Luiz entraram na mira do torcedor, e muito provavelmente do presidente da CBF, Marco Polo del Nero. Não seria de se estranhar, por exemplo, se eles, ou um deles, fossem esquecidos nesse momento. Gil, do Corinthians, pode aparecer na relação, ao lado de Miranda. Algumas posições  não inspiram confiança. Jefferson não é o melhor goleiro do Brasil. Daniel Alves, depois de suas declarações francas à ESPN, pode perder espaço. Ele nem seria convocado para a Copa América, diga-se. Os volantes que não sabem jogar estão condenados, pelo menos na opinião de muita gente que se propôs a discutir as alternativas da seleção após a Copa América. Não há meias interessantes e os atacantes não assustam nem zagueiro juvenil.

É claro que os Firminos de Dunga não são ruins de bola, mas estão longe de representar o futebol da seleção. O treinador precisa de jogador mais cascudo, pelo menos nesta fase de reconstrução. E melhores também. A situação é que após um ano do 7 a 1, o Brasil não tem um time. Nem perto disso. Somente Neymar, que está suspenso e com caxumba, tem lugar garantido, mas precisa ir para o divã.

Mas uma seleção não pode ser refém de seus jogadores apenas, até porque o Brasil não tem mais boas safras. Há um ou outro craque e nada mais, como, aliás, sempre foi com nossos rivais. Então, dessa forma, é preciso ter uma maneira de atuar, privilegiar a bola e os atletas que sabem controlá-la, abrir mão da falta de qualidade técnica, da correria, das vitórias por acaso. Se Dunga não conseguir montar todos os setores do time, que comece pela defesa ou pelo meio de campo. O que o torcedor precisa ver nesta lista, que é o que temos, é o futebol brasileiro em campo, bem representado, é mudanças. O torcedor precisa ver um caminho.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: