Derrota nos minutos finais para o Palmeiras não pode jogar o São Paulo na lata do lixo

Derrota nos minutos finais para o Palmeiras não pode jogar o São Paulo na lata do lixo

Torcedor tem o direito de lamentar, mas time de Rogério Ceni não é pior do que os mais bem colocados na tabela do Brasileirão, como Corinthians e Botafogo, por exemplo

Robson Morelli

21 de junho de 2022 | 10h31

Há duas formas de olhar para a derrota do São Paulo diante do Palmeiras nos minutos finais da partida, aos 45 e 50 minutos do segundo tempo, quando o time de Dudu perdia por 1 a 0 e virou para 2 a 1. A primeira delas é rasgar a camisa como fez um torcedor e a TV mostrou e mandar a equipe para aquele lugar, inconformado com o fracasso em casa no clássico, a queda da tabela no Brasileirão e a festa dos rivais. Condenar tudo e pedir a cabeça deste e daquele.

A segunda forma é olhar o copo meio cheio, de um São Paulo que quase ganhou a partida, que mostrou bom futebol principalmente no primeiro tempo e que soube jogar de igual para igual com um dos melhores elencos do futebol brasileiro. Entre uma visão e outra, há uma série de problemas individuais e alguns mais de grupo que o time de Rogério Ceni mostrou.

Foto: SPFC

Fico com a segunda maneira de olhar para esse São Paulo que fracassou pela primeira vez em sua casa no Brasileiro. O torcedor tem o direito de ficar bravo, não de rasgar a camisa, mas de criticar o time que deixou a vitória escapar mais uma vez, e diante do Palmeiras. Tem e deve. O que não quer dizer que tudo deva ser jogado na lata do lixo. Não. Ceni erra e acerta como todos os treinadores do futebol nacional. Os jogadores do São Paulo fazem boas e más apresentações como todos os colegas inscritos nas competições deste ano. A equipe mantém resultados e vacila como todas as outras na temporada.

Tirando o próprio Palmeiras, e talvez ainda o Atlético-MG, não há nenhum outro time melhor do que o São Paulo no Brasileirão, mesmo que os números após 13 rodadas mostrem o contrário. O clube do Morumbi ocupa a 10ª colocação, com 18 pontos, mas não pode ser apontado como sendo mais fraco do que, por exemplo, o Botafogo, que está na sétima colocação, ou mesmo o Corinthians, o vice-líder. Ou algum são-paulino acha que esses dois gigantes alvinegros são mais fortes do que o Tricolor paulista? Claro que não.

Volto a destacar que o São Paulo tem um caminho para percorrer muito parecido ao que aconteceu com o Palmeiras anos atrás, quando se fortaleceu em campo e na estrutura, quando começou a vencer partidas e a ganhar campeonatos. Quando amadureceu em grupo e com seus atletas individualmente. Quando apostou em um treinador desconhecido, Abel Ferreira, e o manteve no cargo mesmo após as tempestades, como não ter vencido uma única partida no Mundial da Fifa em 2021, por exemplo.

O São Paulo tem muito a fazer, como fortalecer elenco, abrir mão de jogadores que não vão render mais, melhorar as condições de trabalho e de recuperação física e clínica, aprender a ganhar e a não se abalar nas derrotas, enfim, tirar a faca da garganta. Não vai ser de uma hora para a outra que todos esses problemas vão ser resolvidos. É preciso dar tempo ao tempo, ter objetivos e metas e ir melhorando aos poucos. Espero que seus dirigentes não caiam na tentação de demitir Ceni nem deixe que ele peça seu boné por falta de condições de trabalho.

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