Diretores da CBF tentam mudar estatuto da entidade para afastar presidente Rogério Caboclo por mais tempo

Cartola foi tirado do comando por 30 dias para que Comitê de Ética investigue acusação de assédio moral e sexual de uma funcionária

Robson Morelli

29 de junho de 2021 | 19h37

Dirigentes e vices da CBF estariam tentando mudar o estatuto da entidade para manter o presidente Rogério Caboclo afastado mais do que os 30 dias previstos inicialmente para que ele responda a acusação de uma funcionária de assédio sexual e moral. Assim que o caso ganhou o noticiário, membros da Comissão de Ética da CBF, cujo trabalho se apresenta como independente dos mandos dos cartolas, resolveu afastar Caboclo da cadeira, entregando o posto ao vice mais velho, o Coronel Nunes, parceiro do então presidente Marco Polo del Nero, banido do futebol por corrupção.

Foto: CBF

Caboclo se diz inocente e prometeu provar isso. Ele já teria pedido para ser reconduzido ao comando da CBF. O que estaria por trás desse afastamento por até 90 dias seria a criação da Liga pedida pelos clubes da Série A e B do Campeonato Brasileiro. Sem barreiras, a CBF poderia resolver esse pedido e se afastar de vez da organização do futebol nacional, ficando responsável somente pela seleção brasileira e suas categorias de base e do time feminino.

Os dirigentes também estariam dispostos a dar mais poder aos clubes, como votação mais pesada e equivalente às federações na escolha do presidente da entidade. O mentor de tudo isso seria o banido Marco Polo, que nunca largou a entidade e ainda tem influência sobre alguns dos principais dirigentes da CBF. Ele estaria armando para apontar o novo presidente. Sem Caboclo e com a CBF nas mãos indiretas de Del Nero, o caminho estaria livre para a eleição de um novo comandante, da patota do ex-presidente, o banido. Se isso acontecer, Del Nero acertaria dois coelhos com uma cajadada só: tiraria Caboclo de cena e colocaria um ‘pau mandado’ no poder.

Faz parte do pedido dos clubes a queda da série de condições para um candidato participar do pleito para presidente. Se isso for aprovado, e os clubes dizem que não abrem mão da condição, um candidato ligado ao futebol poderia concorrer com os ‘farinhas do mesmo saco’ que ganham as eleições desde Ricardo Teixeira, ou até mesmo antes disso, com João Havelange. Um ex-jogador, por exemplo, poderia ser esse candidato e ganhar os votos dos 40 clubes das duas principais séries do futebol brasileiro, quebrando a cadeia de comando, a saber: Havelange, Teixeira, José Maria Marin, Del Nero e Caboclo.

Há muitas costuras a serem encaminhadas. Os clubes nunca falaram tão grosso como agora e eles não estariam dispostos a deixar Caboclo voltar. O presidente afastado terá de se preocupar com sua defesa porque a acusação de assédio é séria. Coronel Nunes, que está no comando, é homem de confiança de Del Nero, que sonha retomar o poder ou ficar mandando de fora. Os clubes querem a Liga e prometem brigar por ela. A seleção brasileira de Tite aguarda um desfecho antes da Copa do Catar.

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