Dirigentes de futebol e diretores de instituições esportivas do Rio deveriam entregar o cargo

Dirigentes de futebol e diretores de instituições esportivas do Rio deveriam entregar o cargo

É preciso uma intervenção no quadro diretivo dos órgão esportivos e no comando do futebol carioca. A final da Taça Guanabara foi mais uma vergonha

Robson Morelli

18 de fevereiro de 2019 | 10h48

A foto de uma mãe segurando no colo seu filho de pouco mais de 1 ano, correndo assustada e protegida por um rapaz e por um policial é o retrato da falência do futebol do Rio de Janeiro. Cenas terríveis de uma final de campeonato. Vasco e Fluminense se enfrentavam no Maracanã pela Taça Guanabara, a primeira parte do torneio Estadual. 29 mil pessoas foram ao estádio, compraram ingressos e não puderam entrar por causa de uma liminar. A turma do Fluminense já estava impedida de entrar. Os vascaínos queriam se sentar no seu setor histórico dentro do Maracanã, que também é tradicional do Fluminense, cujos torcedores nem estavam lá. O fato é que entre mandos e desmandos dos envolvidos, a saber, clubes, federação do Rio, policialmente, televisão e CBF, fez-se a confusão.

Até semana passada, e ainda, estávamos todos juntos chorando a morte dos meninos do Flamengo. Agora, enterrados, parece que não aprendemos nada. A falta de organização foi tamanha que o mais correto a se fazer era uma intervenção no futebol do Rio, de modo a acabar com essas picuinhas, com esses desmandos, com essa bagunça. Desta vez, os torcedores não tiveram culpa. Compraram ingressos e foram para o Maracanã. Entraram aos 30 do primeiro tempo, com quase meio jogo jogado. Uma vergonha. Do lado de fora, confronto dos mais exaltados com a polícia pela proibição. Cenário que os brasileiros conhecem bem.

Por isso, se os nossos dirigentes de futebol do Rio tivessem vergonha na cara, depois de ver as imagens registradas pelas tevês, deveriam entregar os cargos, abandonar o futebol, assumir suas parcelas de incompetência para organizar uma final. Todos têm seus argumentos, mas o resultado de tudo isso foi um desastre, como vimos. Clubes, Federação, policiamento e todos os envolvidos mostraram, mais uma vez, que não estão nem aí para as pessoas, que estão preocupadas unicamente com seu pedaço, que não olham o campeonato, mas apenas a cor de sua bandeira. Por isso que os Estaduais deveriam acabar. Eles não dão mais certo. Não dão.

Por fim, é preciso bater à porta da CBF para tirá-la desse estágio letárgico, desse silêncio sepulcral aos fatos que acontecem debaixo do seu nariz. A entidade delega todas as decisões com a intenção de lavar as mãos para tudo. O torcedor não tem força para mudar isso a não ser não comprando ingressos quando o Brasil jogar em casa. Estádio vazio seria o maior dos protestos. Os patrocinadores fechados com a CBF devem concordar com tudo isso, pois também aceitam a bagunça que está o futebol brasileiro. São patrocinadores que envolvem suas marcas nesse desmando, nessa confusão. Basta entrar no site da entidade para ver quem está com ela. Em breve, Tite fará sua primeira convocação do ano para a seleção como se nada disso o atingisse ou atingisse seus superiores no CBF.

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